Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Biblioteca Escolar ESJP

20
Out21

LIVRO DO MÊS DA B.E.

BE - ESJP

livro do mes 001.jpg

Em 1867, ao prefaciar uma das suas primeiras recolhas de literatura popular, Teófilo Braga, sugerindo uma imagem catastrófica da situação do país, referiu-se desta forma ao seu trabalho: "coligir a poesia popular portuguesa agora, no momento de transe, é como a garrafa ao mar que se atirava nos naufrágios: é para que se saiba que existiu este povo, que também sofreu e cantou". Tal sentimento nacionalista jamais viria a abandonar a sua obra antropológica, o que aliás se explica dada a matriz romântica em que ela assentava. E mesmo quando Teófilo Braga se orientou gradualmente para preocupações de cunho mais científico, isso não significou uma verdadeira ruptura com a perspectiva inicial. São pois os ecos da problemática da identidade nacional, na sua dupla vertente romântica e científica, que podemos reencontrar nestes Contos Tradicionais do Povo Português que, de resto, e independentemente do espírito com que foi concebida e realizada a sua colectânea, propõem ao leitor um conjunto de narrativas cujo fascínio permanece intacto, constituindo além disso um valiosíssimo acervo de informações em áreas que, como a Antropologia e a História das Mentalidades, se dão como objectivo a tarefa de reflectir sobre as múltiplas manifestações das sociedades tradicionais. Após termos procedido à publicação de O Povo Português nos Seus Costumes, Crenças e Tradições, também da autoria de Teófilo Braga, que tem sido considerada a primeira grande obra de conjunto da etnografia nacional, impunha-se esta reedição dos Contos Tradicionais do Povo Português, que decerto formam, juntamente com a recolha de Adolfo Coelho disponível nesta colecção, uma das mais importantes colectâneas de narrativas populares do nosso país. Também na presente reedição se manteve a divisão da obra em dois volumes, tal como sucedia na sua edição original.

 

 

09
Jun21

APRENDER PORTUGUÊS É UM ÊXITO

BE - ESJP

145dcc0c145f13d2cd9887db6a405cffb9c47dc8

A turma de Português Língua Estrangeira, em Sanem, já conta com o dobro de inscrições de alunos luxemburgueses para o próximo ano.

“Gostava de falar português porque tenho muitos amigos portugueses”. Esta é a principal motivação que leva Maeva, 15anos, a querer aprender a língua portuguesa. Veio da Irlanda e partilha com os seus dois irmãos a primeira fila de mesas da sala de aula da Português Língua Estrangeira em Sanem. Dedicam duas horas todas as manhãs de sábado, a aprender português. E nem o ter que acordar cedo, porque a aula começa às 8h, os demove. Duas filas atrás, a italiana Soraya, que vive no Luxemburgo desde os três anos, partilha a motivação: “Quero aprender porque na minha escola quase todos os amigos falam português e quero compreender o que dizem”.

“Eles têm contacto com os colegas na escola e penso que esta será uma das maiores motivações que os levam a aprender o português para poder integrar-se no recreio e participar nas brincadeiras”, sublinha a professora Sónia Candeias Wozniak. E o interesse não para de crescer. Para o ano já conta com o dobro das inscrições de luxemburgueses e alunos de outras nacionalidades que querem aprender a falar português, só nesta aula. “A cada ano que passa, vamos tendo cada vez mais alunos luxemburgueses”, acrescenta. Estão a estudar no nível A1 mas “já sabem ler e construir frases”, explica a professora.

“É uma língua muito interessante” diz Soraya de 10 anos. Questionada sobre o que considera mais difícil na aprendizagem do português, responde: “Para mim é falar, porque tenho algumas dificuldades, porque aprendo muitos línguas e queria compreendê-las”.

Em frente ao quadro, a professora Sónia Candeias Wozniak fala entusiasmada dos seus alunos. Veio para o Luxemburgo há 14 anos para ficar um ano letivo, porque tinha o sonho de ensinar. O objetivo era ganhar tempo de serviço, enquanto aguardava a oportunidade de concorrer em Portugal. Agora já tem cá os seus filhos e casou com um luxemburguês.

“O mais complicado para compreenderem são os verbos, mas este é um grupo muito aplicado e tem tido muitos progressos”, sublinha. No final há um prémio que todos querem receber. Uma viagem de cinco dias a Lisboa, “com a professora e sem os pais”. “No 6° ano vão ter que conseguir estar em Lisboa, sem pedir ajuda à professora. Têm que se desenvencilhar”. Para preparar esse grande momento, na sala de aula “dramatizam situações, como se estivessem em Lisboa, a pedir comida num restaurante, por exemplo.” Para financiar a viagem, organizam vários espetáculos ao longo do ano, angariando todo o lucro conseguido. Este tipo de projeto está, porém, suspenso, devido à pandemia.

 

Mas há um outro projeto de que a professora Sónia fala com orgulho, dirigido aos mais pequeninos que frequentam a educação pré-escolar. E há muito para fazer. “O problema é que muitos dos meninos chegam e não falam luxemburguês e é muito complicado para as professoras luxemburguesas trabalhar com eles, porque também não sabem português”, explica. Os professores de português fazem a ponte entre as duas línguas. “A nossa presença permite às crianças adquirir mais vocabulário na língua materna para que tenham competências linguísticas mais abrangentes. Trabalhamos histórias infantis e depois a professora luxemburguesa conta-as em luxemburguês e ajudamos a fazer essa passagem”, sublinha.

Para já, este projeto, desenvolvido em parceria com o Ministério da Educação do Luxemburgo, está em 11 escolas. Mas o objetivo é levá-lo a mais salas do pré-escolar.

“O professor de português, em parceria com o professor de luxemburguês, faz a transição entre as duas línguas e assim as crianças sentem que a sua língua é valorizada, sentem-se mais confiantes e conseguem mais rapidamente fazer a ponte entre as duas línguas”, explica Mónica Cabral, adjunta de Coordenação de Ensino de Português no Luxemburgo.

Lusodescentes devem começar o mais cedo possível

Mas as dificuldades crescem quando as crianças portuguesas chegam ao Luxemburgo mais tarde e se deparam com uma escola onde só se falam línguas que desconhecem. É o caso de Martim Leandro Correia, de treze anos, que estuda português há dois anos na École Fondamentale Gellé em Bonnevoie. “Tinha cinco anos quando cheguei e fui para uma zona onde havia muitos alemães, não conseguia comunicar e deixei de ter vontade de ir à escola porque estava sempre sozinho”, recorda. Mas depois aprendeu alemão e tudo mudou. Hoje é muito bom aluno a alemão e nas outras línguas. “Na escola temos que aprender francês, alemão e luxemburguês”. Gostava de ser professor de Matemática e não pensa estudar em Portugal.

Já o sonho da Inês Duarte Lourenço, 13 anos, é estudar na Universidade de Coimbra, “desde pequenina”. Começou a aprender português aos sete anos, diz “que é uma língua muito bonita e que falo todos os dias e a toda a hora”. Nasceu no Luxemburgo, mas sempre gostou muito de ir a Portugal, onde vai todos os anos, sem exceção.

Na sala de aula da École Fondamentale de Gellé há muitos outros alunos com ligação às suas raízes. Apesar da sua família vir da Serra da Estrela, Beatriz Martins dos Santos dança no rancho do Cancioneiro do Alto Minho. Começou a dançar com quatro anos e já pisou palcos em Portugal, Paris, Luxemburgo e muitos outros sítios. Com 12 anos, nasceu no Luxemburgo, mas todos os anos vai a Portugal nas férias. Já Dinis Santos não hesita em dizer que não gosta de aprender, “porque é difícil”. Está a aprender português há cinco anos “porque os meus tios querem que aprenda”.

O papel da família pode ser fundamental em motivar os alunos, pelo menos no início.

“A maioria vem porque os pais lhes dizem para vir, mas há outros alunos que escolhem estudar português por vontade própria e gostam”, afirma a professora Maria da Glória Cardoso que veio para o Luxemburgo em 2002. E deve começar-se de pequenino. “Recomendo aos pais que os inscrevam o mais cedo possível, logo no 1° ano”. Para além de aprender português, também evoluem na escola luxemburguesa. “Ainda este ano uma mãe veio dizer-me que o filho evoluiu muito na aprendizagem, desde que começou a aprender português.”

Maria da Glória Cardoso está há vinte anos no Luxemburgo. “Vim para ver o que era o ensino de português no estrangeiro, mas nunca pensei ficar tanto tempo. Depois penso que vou ficar mais um ano para acompanhar os meus alunos até ao fim, mas depois chegam outros e outros e vou-me afeiçoando e ficando.”

O seu mais recente projeto é um telejornal feito pelos alunos que está a desenvolver com outros dois professores. Por sugestão de um dos alunos foi batizado de Lucilineburgo, uma adaptação para português da antiga designação do Luxemburgo. “Estivemos a gravar as notícias feitas pelos alunos com uma câmara, depois vamos fazer uma montagem para apresentar um telejornal.”

A sua principal luta é convencer cada vez mais pais a inscreverem os seus filhos no ensino do português. A procura dos lusodescendentes diminui muito: “Em 2006 havia cerca de 150 alunos e duas professoras nesta escolae neste momento tenho pouco mais de 70 alunos”. A École Fondamentale Gellée, onde leciona a crianças portuguesas e lusodescendente nos níveis A1 e A2, fica no centro de Bonnevoie e está a ser afetada pela crise da habitação. “Temos um problema grande aqui na cidade, a habitação está caríssima e no ano passado tivemos imensos alunos a mudar de casa”, sublinha. Mas fica impressionada quando ouve os pais dizer “que os filhos não querem vir porque ficam muito cansados. Quem decide são as crianças e não devia ser assim”, adianta. “Aconselho todos os pais a inscrever os filhos no português, não são três horas por semana que vão interferir muito na sua vida”. Depois a “aprendizagem do português ajuda a aprender outras línguas”. A docente “preocupa-se com a comunidade portuguesa, porque tentamos falar com os pais e estão muito desmotivados de Portugal e da língua portuguesa. Era importante sensibilizar a comunidade portuguesa para a necessidade dos filhos aprenderam português. ” 

Fonte: CONTACTO

 

04
Mai21

DIA MUNDIAL DA LÍNGUA PORTUGUESA

BE - ESJP

fundo_de_pagina_portugues_3.0.jpg

Este 5 de maio é o  Dia Mundial da Língua Portuguesa. A celebração global de 2020 marcou uma nova etapa: foi a primeira que aconteceu um ano após ser instituída pela Organização das Nações Unidas para Educação Ciência e Cultura, Unesco.

O idioma de vários sotaques e variantes é oficial numa área de mais de 285 milhões de falantes espalhados pelo mundo.

 

Para comemorar o Dia Mundial da Língua Portuguesa, o Consulado-Geral de Portugal em Bordéus convidou um conjunto de personalidades e alunos da sua área consular para uma iniciativa de promoção da língua portuguesa, com a leitura colectiva de vários poemas e textos que se prolongará de 24 de Abril a 5 de Maio.

Os estudantes da Université de Pau et des Pays de l'Adour aderiram a esta iniciativa e convidaram os estudantes da Universidade da Beira Interior, na Covilhã, a juntar-se a eles para um resultado ainda melhor.

portal_dmlp21.jpg

Instituto Camões, VER

16
Mar21

ALENTEJO - ANDANTE

BE - ESJP

Junta o rio e seu advérbio: nasce um país, com homens, vinho, um pão difícil.
Tenta pronunciar a palavra como se de uma planície se tratasse; depois a terra interminável, a água na sua escassez. E também o sol e o amarelo da terra, entre um arco-íris de ocres e castanhos, dispostos com rigor na tela do Verão.
No alto de um pequeno monte, no centro da palavra, descobrirás então outra cor. A forma será a de uma casa coberta de cal. Pronuncia a cor como se a visses pela primeira vez e como se, ao pronunciá-la, o mundo recomeçasse.

JOÃO PEDRO MÉSSEDER
Ordem Alfabética
Quasi Edições

voz - Cristina Paiva

música – Dinis Costa

sonoplastia - Fernando Ladeira

Participação em leitura colectiva: 5 bibliotecários do Alentejo:
Isabel Martins, José Eduardo Biscainho, Maria Paula Santos, Eduarda Marques, Nuno Bentes

Realizado para:
“Nossa Língua - Nosso Chão”
projecto da Direção-Regional de Cultura do Alentejo
em parceria com a Chão Nosso, Crl e Andante Associação Artística