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Biblioteca Escolar ESJP

30
Set21

CAMPOS DE CONCENTRAÇÃO NAZIS

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A expressão “campo de concentração” tornou-se muito conhecida em nosso vocabulário por causa dos campos construídos pelos nazis durante o período que estiveram no poder da Alemanha (1933-1945). Os campos de concentração nazis foram utilizados para receber todas as pessoas que eram entendidas como opositoras ao regime e “inferiores” (do ponto de vista racial da ideologia nazi).

O primeiro campo de concentração construído pelos nazis foi o de Dachau, inaugurado em 1933. Dachau foi criado após um anúncio de Heinrich Himmler (um dos grandes líderes do partido nazi) de que um campo de concentração para prisioneiros políticos seria construído naquela região (Dachau estava nas imediações de Munique, na Alemanha). Esse campo foi designado para receber comunistas e social-democratas, e os primeiros 200 prisioneiros chegaram em 22 de março de 1933.

Logo nos primeiros dias de funcionamento de Dachau, tornaram-se públicas informações que mencionavam a violência com a qual os prisioneiros eram tratados. Com pouco mais de um mês de funcionamento, cerca de 12 prisioneiros haviam sido assassinados pelos guardas de Dachau. A criação de Dachau serviu como precedente e de inspiração para que outros campos de concentração fossem criados na Alemanha.

O historiador Richard J. Evans fala que o surgimento dos campos de concentração durante o período nazi não foi um acaso ou uma necessidade de abrigar uma população carcerária que aumentou consideravelmente com a perseguição promovida pelos nazis, mas foi um ato premeditado que fazia parte da ideologia nazi e que havia sido defendido por Hitler e denunciado por outros grupos da sociedade alemã ao longo da década de 1920.

Ao longo dos anos, os nazis construíram novos campos de concentração, que recebiam, além dos opositores políticos do regime, os considerados “inválidos”, isto é, pessoas com distúrbios mentais e físicos. Essas pessoas eram enviadas para campos de extermínio específicos, que foram construídos entre 1939 e 1941.

Os campos de extermínio desenvolveram um método que foi utilizado em larga escala pelos alemães contra os judeus: o uso das câmaras de gás. A princípio, as câmaras de gás construídas assassinavam as pessoas com o uso de monóxido de carbono. As vítimas eram encaminhadas para chuveiros, mas em vez de água saía o gás da tubulação, matando as vítimas de asfixia.

Ao todo, nesse programa de extermínio de pessoas “inválidas”, foram mortas 70.273 pessoas até agosto de 1941, quando o programa foi interrompido. Esse programa foi exportado em uma dimensão muito maior para a Solução Final, o programa de extermínio dos judeus. O desenvolvimento do projeto de uso das câmaras de gás para o extermínio dos judeus foi designado por Odilo Globocnik, que trouxe parte da equipe responsável pelo projeto de extermínio dos “inválidos”.

O primeiro campo de concentração para o extermínio de judeus desenvolvido por Globocnik foi o de Belzec, na Polónia. Esse campo foi designado para matar os judeus que lá chegassem o mais rápido possível. A ideia era construir as câmaras de gás e utilizar o monóxido de carbono para a execução. Posteriormente, os nazis passaram a utilizar o Zyklon-B, produzido inicialmente para ser um pesticida, mas que se mostrou eficaz na execução de seres humanos.

Um parêntese importante é que os nazis ordenaram a construção de campos de concentração, aqueles cuja função era abrigar os judeus, campos de trabalho forçado, cuja função era a de explorar sua mão de obra, e também campos de extermínio, aqueles cuja única função era atuar como uma fábrica da morte.

 

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...e ainda AQUI a lista dos principais campos de concentração nazis

 

 

 

28
Set21

A CASA DE ANNE FRANK EM AMSTERDÃO

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Durante mais de dois anos que Anne Frank e a sua família viveu no anexo do edifício em Prinsengracht 263 onde o pai de Anne, Otto Frank, também tinha um negócio. A família Van Pels e Fritz Pfeffer também se escondeu aqui com eles. A porta para o anexo estava fechada por detrás de uma estante amovível construída especialmente para este fim. Os trabalhadores sabiam do esconderijo e ajudavam as oito pessoas dando-lhes comida e noticias sobre o que ia acontecendo no mundo lá fora. A 4 de Agosto de 1944, o esconderijo foi descoberto. As pessoas que se encontravam escondidas foram deportadas para vários campos de concentração. Apenas Otto Frank sobreviveu à guerra.

Hoje em dia, os quartos na Casa de Anne Frank, embora vazios, ainda respiram a atmosfera sentida neste período de tempo. Citações do seu diário, documentos históricos, fotografias, pequenos filmes, e objectos originais que pertenceram aqueles que se encontravam escondidos e às pessoas que os ajudavam ilustram os eventos que decorrem neste lugar. O diário original de Anne Frank e outros apontamentos encontram-se disponíveis para serem vistos no museu. No espaço multimédia, os visitantes podem entrar numa "viagem virtual" pela Casa de Anne Frank, obtendo informação sobre as pessoas que se encontravam escondidas e sobre a Segunda Guerra Mundial. Uma exposição contemporânea é apresentada na sala de exibições

 

 

 

 

27
Set21

O TERRORISTA ELEGANTE | SUGESTÃO DA SEMANA | PNL

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O Terrorista Elegante e Outras Histórias reúne três novelas escritas a quatro mãos pelos dois amigos com base em peças de teatro encomendadas por grupos de teatro portugueses. 

“As três novelas que constituem este livro têm por base peças de teatro escritas em conjunto pelos autores em tempos diferentes. O primeiro conto, “O terrorista elegante”, resultou de uma encomenda do grupo de treatro A Barraca, de Lisboa. Os dois últimos, “Chovem amores na rua do matador” e “A caixa preta” , foram  escritos como resposta a convites do Trigo Limpo – Teatro ACERT, de Tondela, Portugal.

Escrevemos “Chovem amores na rua do matador” e “A caixa preta” trocando mensagens, a partir de cidades diferentes, um acrescentando o texto do outro. “ O terrorista elegante” foi quase inteiramente escrito em Boane, Moçambique, num jardim imenso, à sombra de um alpendre de colmo. Ali passámos dias, sentados à mesma mesa, cada um diante de um computador, rindo, brincando e apostando na negação da ideia de que a criação literária é sempre um ato profundamente solitário.”

José Eduardo Agualusa e Mia Couto (2019) 

in O Terrorista Elegante (2019) Quetzal Editores

 

José Eduardo Agualusa nasceu na cidade do Huambo, em Angola, a 13 de dezembro de 1960. Estudou Agronomia e Silvicultura. Viveu em Lisboa, Luanda, Rio de Janeiro e  Berlim. É romancista, contista, cronista e autor de literatura infantil. Os seus romances têm sido distinguidos com os mais  prestigiados  prémios nacionais e estrangeiros, como o Independent ou o IMPSC Dublin, tendo sido finalista do Booker.

 

Mia Couto nasceu  na cidade da Beira, em 1955, e tem formação em Biologia. Entre outros, recebeu o Prémio Camões em 2013, o União Latina em 2007, o Vergílio Ferreira em 1999, ou o Neustadt  em 2014 – e é autor de livros tão marcantes  como Terra SonâmbulaO Último Voo do Flamingo ou Vozes Anoitecidas.

 

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23
Set21

RETRATO DE DORIAN GRAY | ÓSCAR WILDE

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Começou por ser uma novela (ou pequeno romance) em 13 capítulos, intitulada O Retrato de Dorian Gray, e ocupou as primeiras cem páginas do número da revista em que foi publicada, em Julho desse ano (a Lippincott’s Monthly Magazine). Contudo, o texto publicado na revista não foi exactamente o texto enviado por Wilde. Certamente em nome do gosto burguês dos leitores mais convencionais da revista, Stoddart suprimiu cerca de 500 palavras das 50 mil que a narrativa continha, procurando, assim, suavizar ou branquear as referências à promiscuidade sexual de Dorian, as alusões homoeróticas em particular, bem como outras que pudessem evidenciar o perfume decadentista da personagem. Tal edição de texto (também se lhe pode chamar censura, evidentemente) terá sido feita à revelia do autor. Não se conhece, pelo menos, prova documental (cartas, por exemplo) de que tenha ocorrido de outro modo. Não obstante, a recepção crítica e jornalística da história do retrato que envelhece e envilece enquanto o seu modelo permanece jovem e belo não foi pacífica, não tanto nos EUA, mas sobretudo no Reino Unido, onde a revista era distribuída pela firma Ward, Lock & Company, que um ano depois publicará a obra em livro. O Daily Chronicle, de Londres, verberou a “frivolidade efeminada”, a “estudada insinceridade”, o “teatral cinismo”, a “pomposa vulgaridade” da obra: “Um livro venenoso, cuja atmosfera está carregada dos vapores mefíticos da putrefacção moral e espiritual”. O Scotts Observer falou em “estrumeira” e a St. James’s Gazette reclamou a proibição da obra. Um livreiro londrino recusou-se, aliás, a vendê-la. Enfim, um succès de scandale.

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23
Set21

FAUSTO | GOETHE

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Fausto, (Fauto I -1806; Fausto II - 1832 ) além de ser a obra simbólica da vida de Goethe, adquire também significado universal por materializar o mito do homem moderno, o homem que busca dar significado a sua vida, que precisa tocar o eterno e compreender o misterioso. Sob este aspecto, o mito faústico transforma-se em um “mito vivo”, um relato que confere modelo para a conduta humana.

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22
Set21

OSCAR WILDE , O DANDI REBELDE

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Oscar Wilde foi talvez o mais importante dramaturgo da época vitoriana. Criador do movimento dândi, que defendia o belo e o culto da beleza como um antídoto para os horrores da época industrial, Wilde publicou a sua primeira obra em 1881, a que se seguiram duas peças de teatro. A partir de 1887 iniciou uma fase de produção literária intensa, em que escreveu diversos contos, peças de teatro, como A Importância de se Chamar Ernesto, e um romance. Em 1895, foi acusado de homossexualidade e violentamente atacado pela imprensa, tendo-se envolvido num processo que o levou à prisão. Morreu em Paris em 1900.

 

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21
Set21

ANNE FRANK - UM EXEMPLO DE TENACIDADE

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Anne Frank (1929-1945) foi uma jovem judia vítima do regime nazi. Morreu no campo de concentração de Bergen-Belsen, na Alemanha, deixando escrito um diário, que foi publicado por seu pai, sobrevivente do campo de concentração de Auschwitz (Polónia), intitulado "O Diário de Anne Frank".

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23
Jun21

VALTER HUGO MÃE | AUTOBIOGRAFIA

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valter-hugo-mae.jpgnasci no dia vinte e cinco de setembro de mil novecentos e setenta e um, numa cidade angolana outrora chamada henrique de carvalho , hoje conhecida por saurimo. o meu pai trabalhava no banco de angola, antes disso havia sido militar, e passava o tempo arrastando a família de cidade para cidade. a minha irmã marisol nasceu em luanda, o meu irmão marco em nova lisboa e a minha irmã flor nasceu nas férias em guimarães. (...)

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23
Jun21

COMO NASCE A POESIA | ALLAN POE

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No ensaio Filosofia da Composição (1846), o escritor norte-americano Edgar Allan Poe desnuda o percurso da criação poética, servindo-se do seu célebre poema “O Corvo” – “The Raven” na língua original – como meio para explicar a criação artística.

Refletindo sobre as motivações da produção literária, o autor assinala que as narrativas tendem a fornecer uma tese, bem como a assumirem-se como um relato de experiências vivenciais, às quais se aliam as descrições, os diálogos e os comentários do escritor. Poe, que interpreta as respetivas motivações como um erro, defende essencialmente a importância do efeito, que deverá acarretar um outro traço relevante: a originalidade.

O escritor norte-americano destaca o quão interessante seria chegar até ao leitor um artigo – que nem um diário de bordo – no qual cada autor registasse todos os passos da sua produção literária de modo a desmitificá-la. Porém, parece-lhe que o desejo em manter uma perceção romântica da produção artística tende a imperar, fazendo dominar a ideia de criação inspirada e intuitiva.

Contrariando este paradigma, Poe apresenta o modus operandi utilizado para construir um dos seus poemas mais afamados: “O Corvo”. A questão está colocada: como se elabora um poema? Na perspetiva do autor, não há obra que não seja meticulosamente pensada, estabelecendo até um paralelismo entre um poema e “a lógica rigorosa dum problema matemático”.

Em primeiro lugar, o escritor deverá focar-se na extensão da obra, que deverá fazer jus à elevação ou excitação que o poema comporta e proporciona. Por conseguinte, a extensão da obra poética será crucial na difusão do seu efeito. Poe propõe a solução: o seu poema deverá conter cerca de cem versos; cento e oito, com precisão.

A segunda questão que se impõe é a escolha da impressão, ou seja, que efeito o escritor pretende disseminar no âmago do leitor. Para o autor norte-americano, é fundamental que um poema seja “universalmente apreciável”, outorgando à beleza o traço medular da poesia. Portanto, se o belo é a expressão mais eloquente da poesia, “qual será o tom da sua mais alta manifestação”? Esta nova inquietação traz consigo uma resposta que toca todo o ser humano: a tristeza e a melancolia.

Tendo em conta que a extensão, a impressão e o tom estão pensados, segue-se uma quarta reflexão: a chave para a elaboração de um poema. Na perspetiva de Poe, não há nada mais universal do que um estribilho singular que, de modo a equilibrar a facilidade de variação e a brevidade da frase, se resumiria a uma só palavra. Ao construir o seu poema com um refrão, torna-se imprescindível que a obra se divida em estâncias, sendo estas concluídas pelo mesmo. Consequentemente, Poe deduz que, de modo a atribuir ênfase ao estribilho, tornou-se premente escolher sons que fizessem jus à melancolia do poema. Opta, portanto, por um o extenso que associa a um r bem vigoroso. A junção destes sons encaminhou o autor para a palavra nevermore (nunca mais).

desideratum seguinte foi selecionar o pretexto em que a respetiva palavra fosse empregada continuamente. Pareceu-lhe mais sensato que fosse proferida por um animal dotado de palavra, tendo considerado o papagaio, mas rapidamente substituído pelo corvo, que, também dotado de palavra, se adequa mais ao tom melancólico do poema.

Qual seria, por conseguinte, o topus mais poético e universal de todos? A morte surge-lhe como resposta. Morte de uma mulher bela, morte chorada por um amante que se vê privado do seu amor. Um cadáver, um amante martirizado e um corvo que profere nevermore são os elementos que constituem o poema. Porém, como combinar os três eixos? Resguardando-se da escuridão e da tempestade, o corvo entraria pela janela e viria responder às questões apaixonadas, supersticiosas e desesperadas de um amante derrotado no seu quarto, espaço este santificado.

A deceção, o desgosto e a raiva do sujeito avolumam-se quando o termo evocado continuamente pelo corvo o privam todas as esperanças de rever a mulher amada. Quando o poema se encontra no apogeu está, assim, pronto a ser terminado, pois “até ao momento, cada coisa ficou nos limites do explicável, do real.” Em suma, na perspetiva de Poe, um poema deverá mesclar um tanto de complexidade e um tanto de sugestividade, procurando que o “excesso de sentido sugerido” seja uma subcorrente do tema e não a sua corrente superior.

Ao longo d’A Filosofia da Composição, Poe opõe-se, assim, à conceção romântica da criação artística, deslindando e desmistificando a origem do trabalho poético, configurando-o como um processo árduo e de reflexão.

Texto de Cátia Sousa Vieira

https://www.comunidadeculturaearte.com/como-nasce-a-poesia-nas-palavras-de-edgar-allan-poe/?fbclid=IwAR1C7k58GsueIQD9m6UFkB5W7xqJVxRr3DDJihu8escv0QivdEHTX2seYq8

21
Jun21

SUGESTÃO DA SEMANA PNL | VIRGINIA WOOLF - MRS DALLOWAY

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“Numa clara manhã de primavera, Clarissa Dalloway resolve sair para comprar flores para a festa que acolherá naquela mesma noite, em sua casa. Enquanto passeia pelas ruas de Londres, são recolhidas imagens, sensações e ideias, entrelaçadas com as personagens que habitam o seu mundo - do marido, Richard Dalloway, à filha, Elizabeth, e a Peter Walsh, amigo de juventude acabado de voltar da Índia - e que com ele se cruzam - como Septimus Warren Smith, veterano da Primeira Guerra Mundial assombrado pela doença mental. Romance que revelou em pleno o talento de Virginia Woolf, a sua perspicácia, a sensibilidade transparente e, sobretudo, a arte suprema de descrever os segredos das almas - não os atos mas as sensações que eles despertam - fazem de Mrs Dalloway uma obra-prima indiscutível da literatura universal.”

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15
Jun21

GONÇALO CADILHE | AS VIAGENS E OS LIVROS

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goncalo-cadilhe-molucas.jpgGonçalo Cadilhe é o mais reconhecido escritor de viagens português da actualidade. Tem catorze livros de narrativa de viagem e três coffee-tables de fotografia. Os seus títulos somam dezenas de reedições. Várias das suas obras encontram-se incluídas na listagem do Plano Nacional de Leitura. Viagens, biografias históricas, surf e encontros de vida são os seus temas de eleição. 

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15
Jun21

OLGA TOKARCZUK

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Prémio Nobel da Literatura 2018

Olga Tokarczuk nasceu em Sulechów, uma pequena cidade polaca, em 1962. Formada em Psicologia, publicou o seu primeiro livro em 1989, uma coletânea de poesia intitulada Miasta w lustraché, seguindo-se os romances E. E. e Prawiek i inne czasy, tendo sido este último um sucesso.
A partir daí, a sua prosa afastou-se da narrativa mais convencional, aproximando-se da prosa breve e do ensaio. Uma das melhores e mais apreciadas autoras de hoje, a obra de Olga Tokarczuk tem sido alvo de várias distinções, nacionais e internacionais. Recebeu por duas vezes o mais importante prémio literário do seu país, o Prémio Nike; em 2018, foi finalista do Prémio Fémina Estrangeiro e vencedora do Prémio Internacional Man Booker. Os seus livros estão traduzidos em trinta línguas.
Em 2019, foi distinguida pela Academia Sueca com o Prémio Nobel de Literatura pela sua «imaginação narrativa, que com uma paixão enciclopédica representa o cruzamento de fronteiras como forma de vida».

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15
Jun21

SUGESTÃO DA SEMANA PNL | VIAGENS

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Publicado originalmente em 2007 no polaco nativo da autora, Viagens, cuja tradução para inglês venceu, em 2018, o Man Booker Prize, é o 12º livro de Olga Tokarczuk, um dos maiores nomes da literatura contemporânea no seu país Natal.

“Bieguni”, seu interessante título original, refere-se a um grupo de “old believers” que rejeitam a vida sedentária e acreditam que a viagem, o movimento, são essenciais para evitar o mal e a tragédia. Sendo Olga Tokarczuk formada em psicologia, não será de estranhar a sua curiosidade por um comportamento humano tão aparentemente inverso ao que são as nossas convenções sociais.

Esta escolha reflete a filosofia na qual Tokarczuk se parece basear para o desenvolvimento da sua obra, inconformada com uma única corrente literária. O seu estilo fragmentado será, talvez, um pouco desconcertante para o leitor durante os capítulos iniciais, ganhando alguma justificação e sentido ao longo das mais de 300 páginas compostas por pequenas “viagens” ao longo do espaço e tempo, numa amálgama de formas estilísticas onde se misturam ensaios e narrativas de ficção mais ou menos longas com algumas personagens históricas em aparições esporádicas.

Estes fragmentos, parecendo inicialmente sem qualquer tipo de relação entre si, têm em comum o tema do movimento, do lar físico e espiritual – o corpo humano e uma curiosidade um pouco macabra sobre anatomia tomam um papel central em várias das narrativas – desde uma ex-amante de um monarca que tenta desesperadamente recuperar o cadáver do pai, a um homem que perde o rasto à sua mulher e filho, à irmã do compositor Chopin que tenta encontrar um local de repouso para o coração do mesmo após a sua morte. Olga Tokarczuk parece então perguntar-nos: qual o nosso próximo destino? Qual o significado de lar, corpo, e a sua importância material e espiritual?

Uma das críticas mais recorrentes e pertinentes a este Viagens é a falta de enquadramento oferecida para muitas das escolhas da autora – quer sejam os mapas que surgem de forma aparentemente aleatória entre fragmentos narrativos, quer sejam histórias sem finalização, que podem deixar o leitor com um sentimento de frustração para com a leitura. Mas, talvez, também esse seja o propósito quando se fala de viagens. Afinal, Tokarczuk não se refere a turismo e ao encontro de pontos previamente demarcados num mapa (até porque o seu livro não segue qualquer tipo de padrão literário a que a maioria dos leitores esteja habituado), mas à filosofia nómada, de deixar um local, uma história e partir para a seguinte sem a preocupação de olhar para trás.

É uma perspetiva discutível, uma vez que algumas narrativas são revisitadas e deixadas com um certo tom de finalização, enquanto outras são tão breves que nos podemos perguntar o porquê de ali se encontrarem. Algumas das secções conseguem fazer sentido individualmente, enquanto outras parecem deixar mais questões que respostas, sem acrescentarem nada de relevante ao que a autora transmite no total das partes que constituem a obra, fazendo com que esta se alongue desnecessariamente em certos pontos.

Viagens é uma incursão infinitamente interessante pela mente da autora, que irá necessitar de alguma concentração por parte do leitor para combater a sua deliberada ambiguidade. Ainda assim, acaba por ser compensatória na escrita descomplicada e envolvente de Tokarczuk, traduzindo-se num exercício de literatura bastante agradável e original, sem se tornar demasiado cansativo ou complexo, ao alcance de qualquer leitor curioso que se predisponha ao desafio.

Fonte: Maria João Soares in Comunidade Cultura e Arte

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15
Jun21

MARATONA DE LEITURA | SERTÃ DE 30 DE JUNHO A 3 DE JULHO

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A Maratona da Leitura – 24 Horas a Ler é hoje um dos principais eventos culturais do Interior português, cujo principal propósito é desafiar os leitores a ler em voz alta excertos de obras dos seus autores preferidos. 

A celebração da leitura em voz em alta tem neste certame o seu máximo expoente, promovendo, ao mesmo tempo, a paixão pelos livros e o gosto pela leitura. Todos os anos tem destacado uma figura célebre, à volta da qual decorreram várias iniciativas paralelas, desde tertúlias até encontros temáticos ou sessões de leitura em lugares inesperados, como o sopé de uma serra ou o leito de um rio. Nas últimas edições invocámos personalidades tão distintas como Hans Christian Andersen, Fernando Pessoa, Nuno Álvares Pereira ou Padre Manuel Antunes.

Uma das características do evento é promover a região, através da descentralização das atividades que acontecem um pouco por todo o concelho da Sertã, privilegiando-se locais de rara beleza. Passeios de barco no Rio Zêzere, encontros com escritores no seio da natureza ou em edifícios emblemáticos, passeios pedestres que conciliam a contemplação do espaço envolvente e o trabalho literário dos escritores presentes, são alguns dos exemplos dos principais momentos da Maratona da Leitura.

Uma particularidade do evento são as Festas na Aldeia, muitos locais dispersos e isolados do concelho da Sertã são visitados por uma biblioteca itinerante e por um contador de histórias. O objetivo é proporcionar aos residentes o contacto em primeira mão com os livros e a leitura, num verdadeiro espírito de festa!

Contamos sempre com inúmeros escritores convidados. Na maratona já estiveram nomes como Pedro Mexia, Valter Hugo Mãe, Mário Zambujal, Francisco Moita Flores, Miguel Real, Jaime Nogueira Pinto, Pedro Lamares, Vergílio Alberto Vieira ou o radialista Fernando Alves.

Em 2018 mereceu uma menção honrosa no âmbito das Boas Práticas em Bibliotecas Públicas da Direção Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas.

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09
Jun21

MÁRIO DE CARVALHO

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Mário de Carvalho nasceu em Lisboa em 1944. Licenciou-se em Direito e viu o serviço militar interrompido pela prisão. Desde muito cedo ligado aos meios da resistência contra o salazarismo, foi condenado a dois anos de cadeia, tendo de se exilar após cumprir a maior parte da pena. Depois da Revolução dos Cravos, em que se envolveu intensamente, exerceu advocacia em Lisboa. O seu primeiro livro, Contos da Sétima Esfera, causou surpresa pelo inesperado da abordagem ficcional e pela peculiar atmosfera, entre o maravilhoso e o fantástico.

Desde então, tem praticado diversos géneros literários – Romance, Novela, Conto, Ensaio, Crónica e Teatro –, percorrendo várias épocas e ambientes, sempre em edições sucessivas. Utiliza uma multiforme mudança de registos, que tanto pode moldar uma narrativa histórica como um romance de atualidade; um tema dolente e sombrio como uma sátira viva e certeira; uma escrita cadenciada e medida como a pulsão de uma prosa endiabrada e surpreendente.

Nas diversas modalidades de Romance, Conto, Crónica e Teatro, foram atribuídos a Mário de Carvalho os prémios literários mais prestigiados (designadamente os Grandes Prémios de Romance e Novela, Conto e Teatro da APE, prémios do Pen Clube Português e o prémio internacional Pégaso de Literatura). Os seus livros encontram-se traduzidos em várias línguas.

Obras como Os Alferes, A Inaudita Guerra da Avenida Gago Coutinho, Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde, O Varandim seguido de Ocaso em Carvangel, A Liberdade de Pátio ou Ronda das Mil Belas em Frol são a comprovação dessa extrema versatilidade.

 

09
Jun21

SUGESTÃO DE LEITURA | MÁRIO DE CARVALHO

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"O que eu ouvi na barrica das maçãs"
Esta obra engloba várias crónicas, escritas por Mário de Carvalho e publicadas pelo Jornal Público e Jornal de Letras, ao longo dos anos 80 e 90 do século XX. Abordam reflexões que abrangem diferentes temáticas, do jornalismo, à religião, ao quotidiano, incluindo, entre outros, textos em que está sujacente a dimensão política. Numa escrita singular e de grande riqueza descritiva, em que a ironia contrasta com a observação crítica da realidade envolvente, num vocabulário muito próprio e não convencional, mostrando tanto a sua faceta de cidadão atento como a de ficcionista.
 
Reconhecido como um dos mais importantes escritores portugueses da actualidade, a sua faceta de cronista passou despercebida à maior parte dos leitores; daí esta selecção das suas melhores crónicas publicadas nas décadas de oitenta e noventa do século passado no Público e no Jornal de Letras. Delas emergem o ficcionista, o cidadão, o comunicador e o memorialista, em textos que alguns diriam proféticos e, nas palavras de Francisco Belard: «testemunhos de um largo campo de assuntos, abordagens, dimensões e estilos, através de eras e lugares, sinais de um escritor que declaradamente prefere viajar no discurso e decurso do tempo e do espaço doméstico a fazê-lo em itinerários geográficos, programados e turísticos. Por tudo isto […], os leitores dos romances o vão reencontrar em mudáveis cenários e perspectivas, de outros pontos de vista, na familiaridade e na estranheza diante do seu mundo, que faz nosso.»

 

08
Jun21

SUGESTÃO DA SEMANA | COM O MAR POR MEIO...

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«Desta ilha de Lanzarote, com o mar por meio, mas com braços tão longos que alcançam a Bahia, nós, e os mais que cá estão, parentes e amigos, admiradores todos, vos enviamos muito saudar e votos valentes contra as coisas negativas da vida.

A amizade entre Jorge Amado e José Saramago teve início quando os dois já iam maduros nos anos e na carreira literária. O vínculo tardio, porém, não impediu que os escritores criassem um forte laço, estendido às suas companheiras de vida, Zélia Gattai e Pilar del Río.

Reunida neste livro, a correspondência inédita entre os dois mestres da língua portuguesa vem finalmente a público. São cartas, bilhetes, cartões, faxes e mensagens várias, enviadas ao longo de seis anos, com uma rica troca de ideias sobre questões tanto da vida íntima como da conjuntura contemporânea, sempre com afeto e bom humor.

Ilustrado com fac-símiles e fotos raras, Com o mar por meio é um documento que ilustra uma bela amizade - esse «manjar supremo» da vida - e aproxima o leitor do universo particular de dois dos maiores nomes da literatura de língua portuguesa.»

In  Com o mar por meio.  Uma amizade em cartas -  Jorge Amado  e José Saramago (2107). Companhia das Letras

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07
Jun21

CONCURSO DE LEITURA EXPRESSIVA | 9 de junho 2021

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O concurso de leitura expressiva “Leituras na Planície” é organizado pelos Professores Bibliotecários dos Agrupamentos de Redondo, Moura, Portel, Manuel Ferreira Patrício (Évora) e André de Gouveia (Évora) e coadjuvado pela Rede de Bibliotecas Escolares através dos respetivos Coordenadores Interconcelhios.

O Concurso tem como objetivos principais a promoção do gosto pela leitura, o contacto com os livros, bem como o desenvolvimento da expressividade/ leitura expressiva em voz alta.

A iniciativa decorreu em 3 fases: em sala de aula com os professores titulares de turma ou professores de Português, na Biblioteca Escolar, uma pré-seleção a cargo do grupo de trabalho, visando apurar 3 alunos por cada ano de escolaridade 

A fase final decorrerá de forma síncrona, através de uma plataforma online, e será transmitida, em direto no dia 9 de junho, através de link disponibilizado a todos os agrupamentos participantes.

O júri desta fase será constituído por um representante de cada uma das seguintes instituições: Rede de Bibliotecas Escolares, Plano Nacional de Leitura, Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares da Região do Alentejo, Fundação Eugénio de Almeida e Câmara Municipal de Redondo.

Participaram nesta iniciativa 23 Agrupamentos de Escolas e estarão na final 113 alunos (3 alunos por ano de escolaridade de todos os níveis de ensino).

Consulte o programa.