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Biblioteca Escolar ESJP

08
Fev22

O ESTRANGEIRO | O FILME DE LUCHINO VISCONTI

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Baseado no romance O estrangeiro, de Albert Camus, narra a história de Meursault (Marcello Mastroianni), um funcionário argelino que - imerso a mais completa indiferença à vida após assistir ao enterro da mãe e começar caso amoroso com uma ex-colega de trabalho - acaba cometendo, sem qualquer premeditação, o assassinato de um árabe numa praia e é levado a julgamento. Dirigido pelo mestre Luchino Visconti, o filme capta toda a atmosfera de trágica gratuidade criada por Camus.

08
Fev22

UM AUTOR POR MÊS PNL | ALBERT CAMUS

BE - ESJP

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«Não sou filósofo, e por isso não posso falar senão daquilo que vivi. Vivi o niilismo, a resistência, a violência e a vertigem da destruição. Ao mesmo tempo, festejei o poder de criar e o esplendor da vida. Nada me autoriza, por isso, a julgar de uma forma sobranceira a época com a qual sou inteiramente solidário. Julgo-a a partir do seu interior, confundindo-me todos os dias com ela. Mantenho, no entanto, o direito de dizer sempre aquilo que sei sobre mim e sobre os outros, na condição única de que tal não sirva para aumentar a insuportável infelicidade do mundo, mas sim para designar, nos muros obscuros que vamos tacteando, os lugares ainda invisíveis ou as portas que podem ser abertas.»  in Actuelles II, 1953

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20
Jan22

O ESTRANGEIRO | CAMUS E O EXISTENCIALISMO

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O livro “O Estrangeiro”, Albert Camus nos fala sobre o significado da vida humana, que só pode ser entendida no momento da morte. Ou seja, apenas quando enfrenta a possibilidade da morte é que uma pessoa obtém uma percepção acurada da vida.

Nesse livro, Camus introduz a sua filosofia do absurdo expressa a teoria de que a humanidade vive em um mundo que lhe será sempre indiferente. Camus foi um dos maiores escritores de sua época. 

“O Estrangeiro” é merecidamente sua obra mais importante, na qual suas ideias filosóficas são trabalhadas de uma forma sutil e de forma mais envolvente do que seus ensaios. Não conseguimos desgrudar do livro.  O romance é um relato em primeira pessoa da vida de M. Mersault desde o momento da morte de sua mãe. Embora Mersault tenha participado do funeral de sua mãe, não faz questão de ver o corpo, muito embora ele tenha curiosidade em verificar os efeitos do calor e da umidade na sua decomposição. A morte dela não muda nada em sua vida. Em outras palavras, podemos dizer que a morte de sua mãe não tem nenhum significado para ele. Ele tem a consciência da falta de sentido de todos os esforços em face à morte: ele não tem a ambição de avançar em sua carreira profissional, ele é indiferente a estar com amigos. Aceita se casar com Marie, não por vontade dele. Ele simplesmente diz que não a ama, para ele não faz a menor diferença casar ou não. Era indiferente. Mantém um distanciamento irônico típico de um herói concebido do absurdo. Ele não participa da vida não se envolve com ela. Vive o presente, livre de qualquer sistema de valores. Ao invés Em vez de se comportar de acordo com as normas sociais, Mersault tenta viver uma vida honesta, fazendo o que ele quer fazer. Recusa-se a simular sentimentos que ele não possui, e, portanto, ele não se força a chorar no funeral de sua mãe ou a lamentar sua morte profundamente. Mersault é um personagem aparentemente não emocional que "não se preocupa com nada" e afirma mais de uma vez que "não importa de qualquer maneira".

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20
Jan22

O PROCESSO | FRANZ KAFKA

BE - ESJP

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«O Processo» é um romance de 1914, perturbador, sufocante, mas tragicamente verosímil: «Alguém devia ter caluniado Josef K., visto que uma manhã o prenderam, embora não tivesse feito qualquer mal. A cozinheira da sua senhoria, a senhora Grubach, que todos os dias, pelas 8 horas da manhã, lhe trazia o pequeno-almoço, desta vez não apareceu. Tal coisa jamais acontecera. K. ainda se deixou ficar um instante à espera. Entretanto, deitado, com a cabeça reclinada na almofada, observou a velha do prédio em frente que o contemplava com uma curiosidade fora do vulgar; depois, intrigado e cheio de fome, tocou a campainha. Nesse momento bateram à porta, e um homem, que K. jamais vira na casa da senhora Grubach, entrou no quarto»… O texto, deixado incompleto, conta a história de um bancário que é processado sem saber o motivo. Josef K é perseguido e condenado, desconhecendo as causas da acusação. Apenas sabe, estupefacto, que há um processo judicial contra ele, mas não pode consultá-lo. É obrigado, assim, a percorrer os labirintos da burocracia e da administração, a seguir ritos inconsequentes, a comparecer em tribunais absurdos, a submeter-se a ordens contraditórias e desconexas. Em dado passo, a realidade transforma-se em confusos pesadelos. Foi Max Brod, o editor amigo de Franz Kafka, quem revelou postumamente ao público, em 1925, «O Processo», pertencendo-lhe a escolha e a sistematização dos textos, reeditados com acrescentos em 1935 e 1946. Isto, apesar das orientações deixadas pelo autor no sentido de deverem ser queimados os inéditos. Explica Jorge Luís Borges: «Kafka não quis publicar muito em vida e pediu que destruíssem sua obra, o que me lembra o caso de Virgílio, que também encarregou seus amigos de destruírem a não concluída “Eneida”. A desobediência destes fez com que, felizmente para nós, a obra se conservasse. Eu acho que nem Virgílio nem Kafka queriam, na realidade, que os seus trabalhos fossem destruídos. Senão eles mesmos ter-se-iam encarregado do trabalho. Se eu atribuo a tarefa a um amigo, é um modo de dizer que não me responsabilizo». E Max Brod esclarece: «Em Junho de 1920, fiquei com o manuscrito de “O Processo” e pu-lo imediatamente em ordem. Não tinha título, mas Kafka em conversa intitulara-o sempre “O Processo”. A divisão em capítulos e os títulos são do próprio. A ordem é do meu critério. Contudo, como o meu amigo me havia lido uma grande parte do romance, pôde o meu sentimento apoiar-se, na colocação em ordem dos papéis, na lembrança da leitura. Franz Kafka considerava o romance inacabado. Antes do capítulo final deveria ainda descrever algumas fases do misterioso processo. Mas como este, segundo o autor, jamais devia atingir a suprema instância, o romance era, em certo sentido, inacabável, isto é, infinitamente prolongável».

Agostinho de Morais

10
Jan22

A METAMORFOSE | FRANZ KAFKA

BE - ESJP

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A novela de Kafka começa de uma forma direta. O clímax do enredo é apresentado logo de início, e tudo o que ocorre na história é desdobramento desse primeiro acontecimento. A falta de uma explicação maior sobre o ocorrido não desfaz nem um pouco a verossimilhança da novela.

Como o fato é dado a priori, não temos alternativas além de aceitá-lo e continuar a leitura. Todos os fatos que se seguem estão de pleno acordo com a transformação de Gregor. Transformar um fenômeno desse tipo em algo plausível desde o princípio é um dos maiores méritos de A Metamorfose.

O próprio estilo da narrativa contribui para essa verossimilhança. A construção das frases de Kafka é precisa, tem poucos floreios e adjetivos inúteis, o que dá um tom de relato - quase burocrático - ao enredo.

Uma característica da literatura de Kafka é a presença de acontecimentos extraordinários que, sem nenhuma explicação, envolvem a narrativa. Não é apenas o estilo que suporta os fatos incomuns, a própria narrativa também os suporta.

Em A Metamorfose é a reação de Gregor, ao continuar agindo naturalmente, que nos leva a aceitar mais facilmente o fato de ele se ter transformado num inseto gigante. As suas maiores preocupações são com o trabalho e com a família.

O que mais consome o protagonista, perante tudo que está vivendo, é estar atrasado para o trabalho e a ameaça de perder o seu emprego. Como as suas preocupações continuam sendo as de uma pessoa "normal", a sua transformação em inseto é amenizada.

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10
Jan22

FRANZ KAFKA

BE - ESJP

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Franz Kafka (1883-1924) foi escritor checo, de língua alemã, considerado um dos principais escritores da Literatura Moderna. Suas obras retratam a ansiedade e a alienação do homem do século XX.

Franz Kafka nasceu em Praga, na época do Império austro-húngaro, na atual República Checa, no dia 3 de julho de 1883. Era filho de Julie Kafka e de Hermann Kafka, rico comerciante judeu.

Cresceu sob a influência das culturas judia, checa e alemã. Sua infância e adolescência foram marcadas pela figura dominadora do pai para quem apenas o sucesso material era importante.

De 1901 a 1906 estudou direito na Universidade de Praga, onde conheceu seu grande amigo Max Brod, seu posterior biógrafo.

Ainda estudante, frequentava os círculos literários e políticos da pequena comunidade judaica onde circulavam ideias e atitudes críticas e inconformistas, com que Kafka se identificava.

Após concluir o curso começou a trabalhar em uma companhia de seguros como inspetor de acidentes de trabalho. Apesar da competência profissional estava sempre insatisfeito, pois não podia se dedicar totalmente à atividade literária como desejava.

Carreira Literária

Kafka teve uma vida emocional conturbada intimidado pela educação severa recebida do pai e pelos noivados e amores infelizes. Tornou-se uma pessoa isolada e rebelde, comportamento que marcou profundamente sua obra.

Kafka só se sentia feliz quando sabia que estava distante da presença do pai e, essa felicidade era cheia de sobressaltos e temores.

O medo é um fator presente em sua obra, todos os seus personagens, que são seu próprio reflexo, são pessoas ou animais que temem algo e, nem mesmo podem explicar a origem e a causa de seu temor.

Em 1909 publicou “Descrição de Uma Luta”, quando manifestou o sentimento de solidão e desamparo que nunca o abandonaria.

Nessa perturbadora narração, que passou quase despercebida, o mundo dos sonhos, tema constante na sua produção, adquiriu uma desconcertante e persistente lógica no mundo da realidade.

Em 1910 começou a escrever os seus "Diários", escrito num caderno com letra nervosa e com trechos riscados e substituídos por outros.

Em 1915, Kafka conhece Milena, que vivia presa a um casamento que se estava a desfazer, o que aconteceu anos depois. Escreve no seu diário que o tempo e a felicidade já passaram e não há muito que esperar de uma existência desperdiçada entre lutas e temores. 

A Metamorfose

Em 1915, Kafka publicou A Metamorfose, em que o personagem acorda certa manhã, de um sonho agitado e se vê transformado em um imenso e repugnante inseto.

A história desenvolve-se num plano de absoluto realismo, com uma precisão de pormenores não somente plausíveis, mas até mesmo banais.

Kafka coloca na obra, sem compaixão e sem obedecer a esquemas políticos ou a conceitos sociológicos, a atmosfera pesada, sufocante e monótona da vida burguesa de uma casa de família.

O Processo

Na obra O Processo, o personagem central é o bancário Joseph K., que é preso e instaurado um processo contra ele por razões que nunca chega a descobrir.

Em geral a ação desenvolve-se num clima de sonhos e pesadelos e delírios misturados a fatos corriqueiros que compõem uma trama em que a irrealidade raia quase a loucura.

O Processo foi escrito entre 1914 e 1915, porém foi deixada inacabada e sem título. A obra só foi publicada em 1925 por seu biógrafo.

Últimos anos

Em 1917, Franz Kafka afastou-se do trabalho devido a uma tuberculose e submeteu-se a longos períodos de repouso. Em 1922 deixou definitivamente o emprego e passou o resto da vida em sanatórios e balneários.

Em 1923 conheceu Dora Dymant que se tornou uma companheira dedicada e o acompanhou em suas estadias nos sanatórios

Franz Kafka faleceu em Kierling, perto de Viena, Áustria, no dia 3 de junho de 1924, com apenas 41 anos.

in ebiografia

 

 

 

10
Jan22

UM AUTOR POR MÊS | FRANZ KAFKA

BE - ESJP

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“Franz Kafka nasceu a 3 de julho de 1883 em Praga, onde o pai era negociante. Pressionado por este, com quem tem difíceis relações, estuda direito numa universidade alemã. A sua  adolescência será marcada pelo ambiente muito particular de Praga, onde se entrecruzam as fraquezas e as contradições da velha Europa.(…) Doutor em direito, entra para uma companhia de seguros em 1907, mas a sua natureza complexa vai adaptar-se dificilmente à vida profissional. Em 1910 começa a escrever os Diários que irá manter com regularidade até 1923.”

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15
Dez21

SUGESTÃO DE LEITURA | UM LIVRO PARA IR AO TEATRO

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“Sim, porquê ir ao teatro? É certamente a questão que se coloca ao Martinho. Como vimos, a resposta « para nos divertirmos» é insuficiente. Etimologicamente – muitas vezes, a etimologia de uma palavra, de uma noção dá-nos pistas interessantes -, teatro significa « o lugar de onde se vê». Podemos então imaginar que vamos ao teatro para ver. Mas para ver o quê, Martinho?
- Para ver…  o mundo.
- Muito bem! É isso, para ver o mundo.  ( …) Para  ver que mundo? Ou antes, o mundo sob que forma?
(…)
Vamos ao teatro ver as ações dos homens e das mulheres que, 6gvemovidos pelas suas paixões e interesses singulares, entram em conflito uns com os outros. Na peça Antígona , de Sófocles, a heroína que dá o nome à tragédia quer a todo o custo enterrar o irmão, Polinices, que acabara de morrer; mas Creonte, o tio,que é o chefe da Cidade, proíbe-a de o fazer, acusando Polinices de traição. Antígona  não faz caso e é condenada e emparedada viva. Tão inflexível  quanto a sua sobrinha, Creonte  vê a infelicidade desabar sobre si próprio : o seu filho, Hémon, apaixonado por Antígona, e a sua própria esposa, Eurídice, suicidam-se.“

In Vou ao Teatro Ver o Mundo (2016), editora Imprensa Nacional-Casa da Moeda | Teatro Nacional de São João.

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16
Nov21

JOSÉ SARAMAGO | CENTENÁRIO

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Assinala-se a 16 de novembro de 2022 o centenário de José Saramago. Tal como em circunstâncias semelhantes acontece com outros grandes vultos, a efeméride constituirá uma oportunidade privilegiada para a consolidação da presença do escritor na história cultural e literária, em Portugal e no estrangeiro. E também para se prestar homenagem à sua figura como cidadão.

Aquela consolidação envolve a revisitação de uma atividade literária e cívica que marcou a cena portuguesa e internacional durante décadas, mas que vai além disso; inclui-se nela a afirmação de uma obra com uma vitalidade inquestionável, bem como a acentuação do pensamento social, político e ético de José Saramago. E também o que desse pensamento ressoa no nosso presente. A Carta dos Deveres e das Obrigações dos Seres Humanos sintetiza, pelo seu espírito e pelos seus efeitos, muito do legado saramaguiano.

A atribuição do Prémio Nobel da Literatura confirmou uma consagração internacional que fez de José Saramago uma personalidade com grande significado, para além das fronteiras de Portugal. Assim, Saramago define-se hoje como um “escritor do mundo”, com presença expressiva em manifestações artísticas, educativas, políticas e sociais com vasta disseminação e efeitos variados. Incluem-se nesses efeitos os que decorrem da presença da obra saramaguiana no nosso sistema de ensino e na difusão da língua e da cultura portuguesas no mundo.

Em articulação com outras entidades, a Fundação José Saramago está a preparar um amplo programa de evocação do centenário, distribuído por quatro eixos: o eixo da biografia, dando atenção ao trajeto biográfico, formativo e cívico do escritor, em relação com a sua produção literária; o eixo da leitura, entendendo-se o centenário do escritor como momento adequado para se revigorar a leitura da sua obra e também para conquistar novos leitores, desejavelmente jovens; terceiro, o eixo das publicações, tanto no plano das obras evocativas, de divulgação ou de extensão transliterária, como no das edições ilustradas, com iconografia do escritor e da sua obra; o eixo das reuniões académicas, uma vez que José Saramago é um escritor com forte presença na academia, em Portugal e no estrangeiro, motivando reuniões científicas em diferentes locais.

Pode antecipar-se desde já que o centenário de José Saramago desencadeará iniciativas de entidades muito diversas, em Portugal e noutras partes do mundo. Nesse contexto, a Fundação José Saramago (FJS) assumirá o papel central que lhe cabe, respeitando, evidentemente, a autonomia dos atores e das instituições que venham a dar contributos próprios ao centenário.

Carlos Reis, Comissário para o Centenário de José Saramago, fevereiro de 2021

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15
Nov21

ANNE FRANK E O HOLOCAUSTO

BE - ESJP

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Anne Frank foi uma entre as mais de um milhão de crianças judias assassinadas durante o Holocausto. Durante o tempo em que ficou escondida dos nazis, Anne manteve um diário no qual escrevia sobre seus medos, suas vivências e suas esperanças. Encontrado em um aposento secreto após a família ter sido presa, o diário foi mantido por Miep Gies, uma das pessoas que ajudou a esconder a família Frank. Depois da Guerra, ele foi publicado em diversos idiomas, sendo até hoje utilizado nos currículos de milhares de escolas de ensino básico e médio por todo o mundo. Anne Frank tornou-se símbolo de esperança perdida pelo que aquelas crianças que foram mortas durante o Holocausto poderiam ter sido, caso tivessem sobrevivido. Ela nasceu em 12 de junho de 1929 em Frankfurt, na Alemanha, filha de Otto e Edith Frank. Nos primeiros cinco anos de vida, Anne morava com seus pais e sua irmã mais velha, Margot, em um apartamento localizado nos arredores de Frankfurt. Após a tomada do poder pelos nazis, em 1933, a família Frank fugiu para Amsterdão, na Holanda. Os alemães ocuparam Amsterdão em maio de 1940, e a partir de julho de 1942, as autoridades nazis e seus colaboradores holandeses iniciaram a deportação dos judeus da Holanda para campos de extermínio na Polónia, já então ocupada pela Alemanha.

Na primeira metade de julho de 1942, Anne e sua família foram para um esconderijo com outras famílias judias. Por dois anos, viveram no sótão de um prédio que ficava atrás do escritório da [antiga] empresa da família, na Rua Prinsengracht, 263, ao qual Anne se referia em seu diário como o "Anexo Secreto". Amigos e colegas levavam roupas e alimentos clandestinamente aos Frank, colocando suas próprias vidas em grande perigo. Em 4 de agosto de 1944, após uma denúncia anónima feita por um holandês, a Gestapo (Polícia Secreta do Estado Alemão), descobriu o esconderijo e prendeu seus moradores. Em setembro de 1944, as autoridades colocaram os Frank e as outras quatro pessoas com quem eles se escondiam num comboio rumo a Auschwitz. No final de outubro de 1944, devido à sua juventude e capacidade de trabalho, Anne e sua irmã foram transferidas para o campo de concentração Bergen-Belsen, no norte da Alemanha. [Devido às péssimas condições de higiene e alimentares] as duas faleceram de tifo em março de 1945, apenas algumas semanas antes das tropas britânicas libertarem aquele campo. A mãe de Anne já havia morrido em Auschwitz no início de janeiro de 1945. Seu pai, Otto, foi o único da família a sobreviver à Guerra.

 

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23
Set21

RETRATO DE DORIAN GRAY | ÓSCAR WILDE

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Começou por ser uma novela (ou pequeno romance) em 13 capítulos, intitulada O Retrato de Dorian Gray, e ocupou as primeiras cem páginas do número da revista em que foi publicada, em Julho desse ano (a Lippincott’s Monthly Magazine). Contudo, o texto publicado na revista não foi exactamente o texto enviado por Wilde. Certamente em nome do gosto burguês dos leitores mais convencionais da revista, Stoddart suprimiu cerca de 500 palavras das 50 mil que a narrativa continha, procurando, assim, suavizar ou branquear as referências à promiscuidade sexual de Dorian, as alusões homoeróticas em particular, bem como outras que pudessem evidenciar o perfume decadentista da personagem. Tal edição de texto (também se lhe pode chamar censura, evidentemente) terá sido feita à revelia do autor. Não se conhece, pelo menos, prova documental (cartas, por exemplo) de que tenha ocorrido de outro modo. Não obstante, a recepção crítica e jornalística da história do retrato que envelhece e envilece enquanto o seu modelo permanece jovem e belo não foi pacífica, não tanto nos EUA, mas sobretudo no Reino Unido, onde a revista era distribuída pela firma Ward, Lock & Company, que um ano depois publicará a obra em livro. O Daily Chronicle, de Londres, verberou a “frivolidade efeminada”, a “estudada insinceridade”, o “teatral cinismo”, a “pomposa vulgaridade” da obra: “Um livro venenoso, cuja atmosfera está carregada dos vapores mefíticos da putrefacção moral e espiritual”. O Scotts Observer falou em “estrumeira” e a St. James’s Gazette reclamou a proibição da obra. Um livreiro londrino recusou-se, aliás, a vendê-la. Enfim, um succès de scandale.

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23
Set21

FAUSTO | GOETHE

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Fausto, (Fauto I -1806; Fausto II - 1832 ) além de ser a obra simbólica da vida de Goethe, adquire também significado universal por materializar o mito do homem moderno, o homem que busca dar significado a sua vida, que precisa tocar o eterno e compreender o misterioso. Sob este aspecto, o mito faústico transforma-se em um “mito vivo”, um relato que confere modelo para a conduta humana.

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23
Jun21

COMO NASCE A POESIA | ALLAN POE

BE - ESJP

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No ensaio Filosofia da Composição (1846), o escritor norte-americano Edgar Allan Poe desnuda o percurso da criação poética, servindo-se do seu célebre poema “O Corvo” – “The Raven” na língua original – como meio para explicar a criação artística.

Refletindo sobre as motivações da produção literária, o autor assinala que as narrativas tendem a fornecer uma tese, bem como a assumirem-se como um relato de experiências vivenciais, às quais se aliam as descrições, os diálogos e os comentários do escritor. Poe, que interpreta as respetivas motivações como um erro, defende essencialmente a importância do efeito, que deverá acarretar um outro traço relevante: a originalidade.

O escritor norte-americano destaca o quão interessante seria chegar até ao leitor um artigo – que nem um diário de bordo – no qual cada autor registasse todos os passos da sua produção literária de modo a desmitificá-la. Porém, parece-lhe que o desejo em manter uma perceção romântica da produção artística tende a imperar, fazendo dominar a ideia de criação inspirada e intuitiva.

Contrariando este paradigma, Poe apresenta o modus operandi utilizado para construir um dos seus poemas mais afamados: “O Corvo”. A questão está colocada: como se elabora um poema? Na perspetiva do autor, não há obra que não seja meticulosamente pensada, estabelecendo até um paralelismo entre um poema e “a lógica rigorosa dum problema matemático”.

Em primeiro lugar, o escritor deverá focar-se na extensão da obra, que deverá fazer jus à elevação ou excitação que o poema comporta e proporciona. Por conseguinte, a extensão da obra poética será crucial na difusão do seu efeito. Poe propõe a solução: o seu poema deverá conter cerca de cem versos; cento e oito, com precisão.

A segunda questão que se impõe é a escolha da impressão, ou seja, que efeito o escritor pretende disseminar no âmago do leitor. Para o autor norte-americano, é fundamental que um poema seja “universalmente apreciável”, outorgando à beleza o traço medular da poesia. Portanto, se o belo é a expressão mais eloquente da poesia, “qual será o tom da sua mais alta manifestação”? Esta nova inquietação traz consigo uma resposta que toca todo o ser humano: a tristeza e a melancolia.

Tendo em conta que a extensão, a impressão e o tom estão pensados, segue-se uma quarta reflexão: a chave para a elaboração de um poema. Na perspetiva de Poe, não há nada mais universal do que um estribilho singular que, de modo a equilibrar a facilidade de variação e a brevidade da frase, se resumiria a uma só palavra. Ao construir o seu poema com um refrão, torna-se imprescindível que a obra se divida em estâncias, sendo estas concluídas pelo mesmo. Consequentemente, Poe deduz que, de modo a atribuir ênfase ao estribilho, tornou-se premente escolher sons que fizessem jus à melancolia do poema. Opta, portanto, por um o extenso que associa a um r bem vigoroso. A junção destes sons encaminhou o autor para a palavra nevermore (nunca mais).

desideratum seguinte foi selecionar o pretexto em que a respetiva palavra fosse empregada continuamente. Pareceu-lhe mais sensato que fosse proferida por um animal dotado de palavra, tendo considerado o papagaio, mas rapidamente substituído pelo corvo, que, também dotado de palavra, se adequa mais ao tom melancólico do poema.

Qual seria, por conseguinte, o topus mais poético e universal de todos? A morte surge-lhe como resposta. Morte de uma mulher bela, morte chorada por um amante que se vê privado do seu amor. Um cadáver, um amante martirizado e um corvo que profere nevermore são os elementos que constituem o poema. Porém, como combinar os três eixos? Resguardando-se da escuridão e da tempestade, o corvo entraria pela janela e viria responder às questões apaixonadas, supersticiosas e desesperadas de um amante derrotado no seu quarto, espaço este santificado.

A deceção, o desgosto e a raiva do sujeito avolumam-se quando o termo evocado continuamente pelo corvo o privam todas as esperanças de rever a mulher amada. Quando o poema se encontra no apogeu está, assim, pronto a ser terminado, pois “até ao momento, cada coisa ficou nos limites do explicável, do real.” Em suma, na perspetiva de Poe, um poema deverá mesclar um tanto de complexidade e um tanto de sugestividade, procurando que o “excesso de sentido sugerido” seja uma subcorrente do tema e não a sua corrente superior.

Ao longo d’A Filosofia da Composição, Poe opõe-se, assim, à conceção romântica da criação artística, deslindando e desmistificando a origem do trabalho poético, configurando-o como um processo árduo e de reflexão.

Texto de Cátia Sousa Vieira

https://www.comunidadeculturaearte.com/como-nasce-a-poesia-nas-palavras-de-edgar-allan-poe/?fbclid=IwAR1C7k58GsueIQD9m6UFkB5W7xqJVxRr3DDJihu8escv0QivdEHTX2seYq8

15
Jun21

OLGA TOKARCZUK

BE - ESJP

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Prémio Nobel da Literatura 2018

Olga Tokarczuk nasceu em Sulechów, uma pequena cidade polaca, em 1962. Formada em Psicologia, publicou o seu primeiro livro em 1989, uma coletânea de poesia intitulada Miasta w lustraché, seguindo-se os romances E. E. e Prawiek i inne czasy, tendo sido este último um sucesso.
A partir daí, a sua prosa afastou-se da narrativa mais convencional, aproximando-se da prosa breve e do ensaio. Uma das melhores e mais apreciadas autoras de hoje, a obra de Olga Tokarczuk tem sido alvo de várias distinções, nacionais e internacionais. Recebeu por duas vezes o mais importante prémio literário do seu país, o Prémio Nike; em 2018, foi finalista do Prémio Fémina Estrangeiro e vencedora do Prémio Internacional Man Booker. Os seus livros estão traduzidos em trinta línguas.
Em 2019, foi distinguida pela Academia Sueca com o Prémio Nobel de Literatura pela sua «imaginação narrativa, que com uma paixão enciclopédica representa o cruzamento de fronteiras como forma de vida».

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15
Jun21

SUGESTÃO DA SEMANA PNL | VIAGENS

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Publicado originalmente em 2007 no polaco nativo da autora, Viagens, cuja tradução para inglês venceu, em 2018, o Man Booker Prize, é o 12º livro de Olga Tokarczuk, um dos maiores nomes da literatura contemporânea no seu país Natal.

“Bieguni”, seu interessante título original, refere-se a um grupo de “old believers” que rejeitam a vida sedentária e acreditam que a viagem, o movimento, são essenciais para evitar o mal e a tragédia. Sendo Olga Tokarczuk formada em psicologia, não será de estranhar a sua curiosidade por um comportamento humano tão aparentemente inverso ao que são as nossas convenções sociais.

Esta escolha reflete a filosofia na qual Tokarczuk se parece basear para o desenvolvimento da sua obra, inconformada com uma única corrente literária. O seu estilo fragmentado será, talvez, um pouco desconcertante para o leitor durante os capítulos iniciais, ganhando alguma justificação e sentido ao longo das mais de 300 páginas compostas por pequenas “viagens” ao longo do espaço e tempo, numa amálgama de formas estilísticas onde se misturam ensaios e narrativas de ficção mais ou menos longas com algumas personagens históricas em aparições esporádicas.

Estes fragmentos, parecendo inicialmente sem qualquer tipo de relação entre si, têm em comum o tema do movimento, do lar físico e espiritual – o corpo humano e uma curiosidade um pouco macabra sobre anatomia tomam um papel central em várias das narrativas – desde uma ex-amante de um monarca que tenta desesperadamente recuperar o cadáver do pai, a um homem que perde o rasto à sua mulher e filho, à irmã do compositor Chopin que tenta encontrar um local de repouso para o coração do mesmo após a sua morte. Olga Tokarczuk parece então perguntar-nos: qual o nosso próximo destino? Qual o significado de lar, corpo, e a sua importância material e espiritual?

Uma das críticas mais recorrentes e pertinentes a este Viagens é a falta de enquadramento oferecida para muitas das escolhas da autora – quer sejam os mapas que surgem de forma aparentemente aleatória entre fragmentos narrativos, quer sejam histórias sem finalização, que podem deixar o leitor com um sentimento de frustração para com a leitura. Mas, talvez, também esse seja o propósito quando se fala de viagens. Afinal, Tokarczuk não se refere a turismo e ao encontro de pontos previamente demarcados num mapa (até porque o seu livro não segue qualquer tipo de padrão literário a que a maioria dos leitores esteja habituado), mas à filosofia nómada, de deixar um local, uma história e partir para a seguinte sem a preocupação de olhar para trás.

É uma perspetiva discutível, uma vez que algumas narrativas são revisitadas e deixadas com um certo tom de finalização, enquanto outras são tão breves que nos podemos perguntar o porquê de ali se encontrarem. Algumas das secções conseguem fazer sentido individualmente, enquanto outras parecem deixar mais questões que respostas, sem acrescentarem nada de relevante ao que a autora transmite no total das partes que constituem a obra, fazendo com que esta se alongue desnecessariamente em certos pontos.

Viagens é uma incursão infinitamente interessante pela mente da autora, que irá necessitar de alguma concentração por parte do leitor para combater a sua deliberada ambiguidade. Ainda assim, acaba por ser compensatória na escrita descomplicada e envolvente de Tokarczuk, traduzindo-se num exercício de literatura bastante agradável e original, sem se tornar demasiado cansativo ou complexo, ao alcance de qualquer leitor curioso que se predisponha ao desafio.

Fonte: Maria João Soares in Comunidade Cultura e Arte

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02
Jun21

SUGESTÃO DA SEMANA | O FIO DA NAVALHA

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“William Somerset Maugham, filho de pais ingleses a viverem em França, nasceu em 1874, na embaixada britânica de Paris, de modo a escapar à obrigatoriedade de cumprir serviço militar imposta a todos os cidadãos nascidos em solo francês. Dramaturgo e romancista, antes de deflagrar a Primeira Guerra Mundial, Maugham já havia publicado dez romances e igual número de peças de teatro da sua autoria haviam subido a palco. Rapidamente se tornou um dos mais célebres escritores do seu tempo, e também um dos mais bem pagos. Quando ficou órfão de ambos os pais, antes de completar dez anos, foi enviado para Inglaterra, permanecendo ao cuidado de um tio. Mudou de país e mudou de língua – a adaptação não decorreu pacificamente. Com dezasseis anos, convenceu o tio a deixá-lo estudar na Alemanha, onde se dedicaria à literatura, à filosofia e à língua alemã. Aqui assumiria a sua bissexualidade, tendo a primeira relação homossexual, e aqui escreveria o seu primeiro livro, uma biografia do compositor Giacomo Meyerbeer. Quando regressou a Inglaterra, Somerset Maugham já tinha a certeza de que queria ser escritor. Durante a Primeira Guerra Mundial, o escritor viajou pela Índia e pelo Sudeste Asiático, experiência que lhe serviu de mote para várias obras. Entre os seus livros mais notáveis, encontram-se Servidão HumanaO Fio da Navalha e A Carta. Somerset Maugham morreu na sua casa do Sul de França em 1965, e as suas cinzas foram espalhadas perto da Biblioteca Maugham, em Inglaterra.”

“William Somerset Maugham, filho de pais ingleses a viverem em França, nasceu em 1874, na embaixada britânica de Paris, de modo a escapar à obrigatoriedade de cumprir serviço militar imposta a todos os cidadãos nascidos em solo francês. Dramaturgo e romancista, antes de deflagrar a Primeira Guerra Mundial, Maugham já havia publicado dez romances e igual número de peças de teatro da sua autoria haviam subido a palco. Rapidamente se tornou um dos mais célebres escritores do seu tempo, e também um dos mais bem pagos. Quando ficou órfão de ambos os pais, antes de completar dez anos, foi enviado para Inglaterra, permanecendo ao cuidado de um tio. Mudou de país e mudou de língua – a adaptação não decorreu pacificamente. Com dezasseis anos, convenceu o tio a deixá-lo estudar na Alemanha, onde se dedicaria à literatura, à filosofia e à língua alemã. Aqui assumiria a sua bissexualidade, tendo a primeira relação homossexual, e aqui escreveria o seu primeiro livro, uma biografia do compositor Giacomo Meyerbeer. Quando regressou a Inglaterra, Somerset Maugham já tinha a certeza de que queria ser escritor. Durante a Primeira Guerra Mundial, o escritor viajou pela Índia e pelo Sudeste Asiático, experiência que lhe serviu de mote para várias obras. Entre os seus livros mais notáveis, encontram-se Servidão HumanaO Fio da Navalha e A Carta. Somerset Maugham morreu na sua casa do Sul de França em 1965, e as suas cinzas foram espalhadas perto da Biblioteca Maugham, em Inglaterra.”

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A vida de Larry Darrell muda para sempre quando um amigo e colega de combate morre ao tentar salvá-lo. Para o jovem aviador americano, a morte passa então a ter um rosto. O inexorável mistério da morte leva-o a questionar o significado último da frágil condição humana e a embarcar numa obstinada e redentora odisseia espiritual.
Ao recusar viver segundo as convenções impostas pela sociedade para buscar o sentido da vida (que encontrará, certa manhã, algures na Índia), Larry torna-se simultaneamente uma frustração para os que o rodeiam – principalmente para Isabel, a namorada, e Elliott, tio desta, que cultivam acima de tudo a aceitação e o prestígio sociais – e a personificação de um ideal de espiritualidade e não-compromisso.

Por duas vezes adaptado ao cinema, "O Fio da Navalha" é um romance intemporal. As ansiedades e dúvidas de Larry são também as nossas; continuamos até hoje a buscar um sentido para a nossa existência. Para encarnar essa luta contra o destino, Somerset Maugham criou um dos mais fascinantes personagens do seu vasto legado literário. Da Primeira à Segunda Guerra Mundial, passando pela Grande Depressão, ele leva-nos, através das sociedades francesa, americana e inglesa, à verdade mais recôndita da alma e do sentimento humanos.

13
Mai21

IRMÃOS KARAMAZOV | SÍNTESE

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“Os Irmãos Karamázov” é o último romance publicado de Dostoiévski. E considero, entre todos que li, o mais complexo. Muitas discussões estão embutidas nesse romance, muitas facetas diferentes da vida. Penso que a tentativa de isolar algumas de suas ideias principais e analisá-las isoladamente destrói a unidade essencial do romance. Talvez, penso eu, a grandeza dessa obra esteja na capacidade do autor de integrar diversos elementos divergentes em um todo unificado.

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11
Mai21

SUGESTÃO DA SEMANA | OS IRMÃOS KARAMAZOV

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O último grande romance de Dostoiévski (1879-1880), terminado pouco tempo antes da sua morte, em São Petersburgo (1881) vem, juntamente com as obras Crime e Castigo (1866), O Idiota (1868) e Os Possessos (1871-72), provar que a fase final da sua vida foi, sem dúvida, a mais produtiva. Os Irmãos Karamázov é uma das mais geniais criações literárias de todos os tempos. Analista rigoroso do comportamento humano, Dostoiévski traz à tona o próprio sentimento de culpa pelo assassínio do pai. O autor debate de uma forma sublime as infindáveis dicotomias da natureza humana, revelando uma inquietação que é já a do homem moderno.

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30
Abr21

DJIDIU - A HERANÇA DO OUVIDO

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Djidiu - a herança do ouvido é uma obra que nos chama, de imediato, a atenção pelo instigante título. Djidiu, como explicado em nota no livro, “é um contador de histórias, um recipiente e um difusor da memória coletiva. Intérpretes e clarividentes, os Djidius, são porta-vozes dos sem voz, autênticas bibliotecas ambulantes”. Guardadores de memórias ancestrais, os Djidius são também conhecidos como Djelis ou Griots.

Djidiu é uma coletânea de poemas na qual os autores dos textos versejam sobre a experiência negra em Portugal. A obra é resultado de uma iniciativa da Afrolis que, entre março de 2016 a março de 2017, mobilizou pessoas negras a participarem “ativamente na produção e divulgação de textos da sua própria autoria ou de autores que considerassem relevantes”. Djidiu é, portanto, um livro atravessado por “recordações e movimentos” de poetas e escritores(as) negros(as) que ecoam as suas vozes num território português, marcado por profundas desigualdades raciais, onde não se pode mais fugir de um debate sério sobre o racismo, consequência das ações dos movimentos negros cada vez mais atuantes no país.