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Biblioteca Escolar ESJP

26
Set22

VERGÍLIO FERREIRA

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Vergílio Ferreira nasceu em Melo, uma pequena aldeia do concelho de Gouveia, no dia 28 de janeiro de 1916.
Frequentou o Seminário do Fundão, que retratou no romance Manhã Submersa, e que Lauro António adaptou para o cinema, convencendo Vergílio Ferreira a participar no filme, no papel de Reitor do Seminário; e a Universidade de Coimbra, onde se licenciou em Filologia Clássica, e fazendo o estágio para professor no Liceu D. João III, atual Escola Secundária José Falcão.

Passou por Bragança, Évora e Faro, até ao Liceu Camões, em Lisboa, onde coincidiu com o aluno António Lobo Antunes que o descreve numa crónica (Retrato do Artista Quando Jovem) como “um professor de ruga atormentada na testa como se os rins da alma lhe doessem que atravessava o pátio do recreio torcido por incómodos metafísicos. Um colega mais instruído revelou-me que o professor se chamava Vergílio Ferreira e publicava livros”.

As cidades de Évora e Coimbra fazem parte do imaginário literário de Vergílio Ferreira, mas também a Serra da Estrela e a sua aldeia de Melo, que servem de cenário a densos e profundos textos do autor.

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Fonte: PNL - https://www.pnl2027.gov.pt/np4/home

 

 

17
Jan22

O CAMINHO PARA A LIBERDADE | JEAN-PAUL SARTRE

BE - ESJP

Neste episódio é abordada a vida e a obra do mais famoso filósofo existencialista europeu, Jean-Paul Sartre (1905-1980). O homem que passou a vida a desafiar a lógica convencional amava os paradoxos. O documentário expõe estes paradoxos da sua vida e da sua obra, ao mesmo tempo em que ambos são questionados. A pergunta central que é colocada é: Se o ser humano é livre para fazer o que quiser, como justifica Sartre, então como devemos viver as nossas vidas no dia-a-dia?

Fonte AQUI
 
 

Jean-Paul Sartre, (1905-1980) foi um filósofo e escritor francês, um dos maiores representantes do pensamento existencialista em França. "O Ser e o Nada" foi o seu principal trabalho filosófico onde formulou seus pressupostos existencialistas.

Jean-Paul Charles Aymard Sartre, conhecido como Jean-Paul Sartre, nasceu em Paris, França, no dia 21 de junho de 1905. Filho de Jean Baptiste Marie Eymard Sartre, oficial da Marinha Francesa e de Anne-Marie Sartre, ficou órfão de pai com dois anos de idade.

Em 1907, Sartre mudou-se com sua mãe para a casa de seus avós maternos em Meudon. Em 1911, mudou-se para Paris e ingressou no Liceu Henri IV.

Em 1916, com o casamento de sua mãe, considerado por Sartre como traição, foi obrigado a se mudar para La Rochelle, quando ingressou no Liceu La Rochelle.

Formação

Em 1920 Sartre voltou para Paris. Em 1924 ingressou na Escola Normal Superior de Paris, onde conheceu sua futura companheira a escritora Simone de Beauvoir. Em 1929, conclui a graduação.

Em 1931, Sartre foi nomeado professor de filosofia em Havre. Nessa época, escreveu o romance, "A Lenda da Verdade", que não foi aceite pelos editores.

Em 1933, Sartre interrompeu a sua carreira após receber uma bolsa de estudos que lhe permitiu estudar na Alemanha no Instituto Francês de Berlim, quando entrou em contacto com a filosofia de Husserl e de Heidegger.

Em 1938, Sartre publicou o romance “A Náusea”, escrito na forma de diário, no qual descreve a repulsa sentida pelo protagonista ao tomar consciência do próprio corpo.

Em 1940, Sartre foi convocado pelo Exército francês para servir na Segunda Guerra Mundial. Feito prisioneiro dos alemães, foi solto em abril de 1941 quando retornou a França.

O Existencialismo de Sartre

Jean-Paul Sartre foi o expoente máximo do "existencialismo" – corrente filosófica que pregava a liberdade individual do ser humano. O existencialismo nasceu com o filósofo dinamarquês Soren Kieekegaard (1831-1855) que combatia a filosofia especulativa.

Em 1943, Sartre publicou “O Ser e o Nada” (1943), seu trabalho filosófico mais conhecido, quando formulou seus pressupostos filosóficos que determinou o pensamento e a posição essencial da geração de intelectuais do pós-guerra. Sartre vinculou a filosofia existencial ao marxismo e à psicanálise.

Para Sartre, “estamos condenados a ser livres” - essa é a sua sentença para a humanidade, uma vez que a “existência precede a essência”, ou seja, não nascemos com uma função pré-definida. Para ele, a consciência coloca o homem diante da possibilidade de escolher o que ele será, pois essa é a condição da liberdade humana. Escolhendo a sua ação, o homem escolhe-se a si mesmo, mas não escolhe a sua existência.

Essa mesma liberdade, que não pode negar-se a si mesma, gera o sentimento de que a escolha carece de importância e está na base da angústia. O texto evidencia sobretudo a questão da liberdade individual em conflito com a convivência social.

Para Sartre, a má-fé do homem seria mentir para si mesmo, tentando se convencer de que não é livre. O problema surge quando seus projetos pessoais entram em conflito com o projeto de vida dos outros.

Eles, os outros, tiram parte da sua autonomia, por isso, as escolhas devem ser pensadas, uma vez que vão definir a existência de cada um. Ao mesmo tempo, é pelo olhar do outro que nos reconhecemos a nós mesmos – daí a origem da célebre frase de Sartre: “O inferno são os outros”.

Em seu breve tratado “O Existencialismo é um Humanismo" (1946) o conceito de liberdade passou a ser apresentado não mais como valor em si, que prescinde de objetivo ou propósito, mas como instrumento dos esforços conscientes.

Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir

Jean-Paul Sartre manteve um relacionamento aberto com sua amiga e também filósofa Simone de Beauvoir durante 50 anos. Nunca se casaram ou tiveram filhos.

Jean-Paul Sartre

Além da relação amorosa, eles tinham uma grande afinidade intelectual. Simone de Beauvoir colaborou com a obra filosófica de Sartre, era a revisora de seus livros e também se tornou uma das principais filósofas do movimento existencialista.

Atividades Políticas de Sartre

Comprometido durante toda a vida com a política, em 1945, Sartre abandonou o ensino para se dedicar a literatura. Em colaboração com Reymond Aron, Maurice Merleau-Ponty e Simone De Beauvoir, fundou o periódico político-literário “Les Temps Modernes”, uma das revistas de pensamento de esquerda, mais influentes do pós-guerra.

Em 1952, Jean-Paul Sartre filiou-se ao Partido Comunista. Em 1956, em protesto pela entrada de tanques soviéticos em Budapeste, Sartre abandonou o Partido Comunista.

Nesse mesmo ano, escreveu um longo artigo em seu periódico, intitulado “O Fantasma de Stalin”, que condenou tanto a intervenção soviética quanto a submissão do Partido Comunista Francês aos ditames de Moscovo.

Últimos Anos de Sartre

Em 1960, Sartre escreveu sua última obra filosófica “Crítica da Razão Dialética”. Essa obra apresenta o marxismo como uma filosofia totalizante, em permanente evolução interna, da qual o existencialismo constitui uma forma de expressão ideológica.

Em 1964, ano em que publicou a autobiografia “As Palavras”, Sartre recusou o Prêmio Nobel de Literatura, que lhe havia sido outorgado, pois, segundo ele, “Nenhum escritor pode ser transformado em instituição.”

Em maio de 1968 apoiou a rebelião estudantil que ajudou a derrubar o governo conservador francês. Em 1972, assumiu a direção do jornal esquerdista “Libértation”.

Além de tratados filosóficos, Sartre escreveu vários romances de sucesso, entre eles: O Muro (1939), dramas como As Moscas (1949), ensaios sobre arte e política, como Situações - obra em dez volumes, redigida entre 1947 e 1976, além de peças como Entre Quatro Paredes (1944) e O Diabo e o Bom Deus (1951). 

Jean-Paul Sartre, que ficou cego em seus últimos anos de vida, faleceu em Paris, França, no dia 15 de abril de 1980. Seus restos mortais foram sepultados no Cemitério de Montparnasse, onde posteriormente foi sepultada sua companheira Simone de Beauvoir.

 

17
Jan22

MARTIN HEIDEGGER | PROJETO PARA VIVER

BE - ESJP

O projeto do tratado Ser e Tempo, foi publicado em 1927 no mesmo ano que Minha Luta (Adolf Hitler). Este programa examina a vida e a filosofia de Martin Heidegger, descreve a sua ascensão a proeminência intelectual, expondo os motivos do seu envolvimento no partido Nazi. Entrevistas com o seu filho, Hermann Heidegger, George Steiner autor de uma influente critica da sua filosofia, contado também com o seu biógrafo Hugo Ott; e ex-aluno de Hans-Georg Gadamer, fornecem novas ideias enquanto se faz uma reconstrução dos momentos chaves da vida de Heidegger. Vida e história de um homem cujos apologistas e os antagonistas ainda amargamente se dividem.

Fonte AQUI

 

Martin Heidegger (1889-1976) foi um filósofo alemão da corrente existencialista, um dos maiores filósofos do século XX. Foi professor e escritor, exercendo grande influência em intelectuais como Jean-Paul Sartre.

Martin Heidegger nasceu em Messkirch, uma pequena cidade católica do Estado de Baden, na Alemanha, no dia 26 de setembro de 1889. Com o objetivo de ser padre cursou Teologia na Universidade de Friburgo, onde foi aluno de Edmund Husserl, teórico e filósofo criador da fenomenologia.

Em 1913, doutorou-se em Filosofia. Ao estudar os clássicos protestantes de Martinho Lutero a João Calvino, entre outros; enfrentou uma crise espiritual e rompeu com o catolicismo. Em 1917 se casa com a Luterana Elfrid Petri.

A partir da influência que adquiriu do professor Husserl, tornou-se seu herdeiro na liderança da fenomenologia – sistema filosófico que estuda o conjunto de fenômenos e estruturas da experiência consciente e como eles se manifestam através do tempo e do espaço.

A filosofia de Heidegger baseia-se na ideia de que o homem é um ser que busca aquilo que não é. Seu projeto de vida pode ser eliminado pelas pressões da vida e pelo quotidiano, o que leva o homem a isolar-se de si mesmo. Heidegger também trabalhou o conceito de angústia, a partir do qual o homem transcende as suas dificuldades ou deixa-se dominar por elas. Assim, o homem seria um projeto inacabado.

Em 1923 foi nomeado professor de Filosofia na Universidade de Marburgo. Com a publicação da obra-prima “Ser e Tempo” (1927), Heidegger foi promovido a professor titular em Marburgo e reconhecido como um dos mais importantes filósofos do mundo. Em 1928, após a reforma de Husserl, Heidegger foi nomeado para a cadeira de Filosofia em Friburgo.

Em janeiro de 1933, quando Hitler se tornou chanceler, Heidegger foi nomeado reitor da Universidade de Friburgo, apoiando o nacional-socialismo. Em 1945, no final da Segunda Guerra Mundial, Heidegger teve sua reputação acadêmica abalada por ter apoiado o Nazismo, ficando proibido de lecionar. Em 1953 publicou “Introdução à Metafísica, onde elogiou o Nacional-Socialismo”.

Martin Heidegger escreveu obras importantes, entre elas, “Novas Indagações sobre Lógica” (1912), “O Problema da Realidade na Filosofia Moderna” (1912), “O Conceito de Tempo na Ciência da História” (1916), “O Que é Metafísica?” (1929), “Da Essência da Verdade” (1943), “Da Experiência de Pensar” (1954), “O Caminho da Linguagem” (1959) e "Fenomenologia e Teologia” (1970).

Martin Heidegger faleceu em Friburgo, Alemanha, no dia 26 de maio de 1976.

 

 

17
Jan22

FRIEDRICH NIETZSCHE | PARA ALÉM DO BEM E DO MAL

BE - ESJP

A semente do pensamento disseminado por Nietzsche no século 19 prefigurava o piloto do século 20 sobre os conceitos do existencialismo e da psicanálise. Este programa conta com entrevistas de grandes estudiosos do pensamento do Nietzsche sendo eles: Ronald Hayman e Leslie Chamberlain (biógrafos de Nietzsche), Andrea Bollinger (arquivista), Reg Hollingdale (tradutor), Will Self (escritor) e Keith Ansell Pearson (filosofa) que sonda a vida e os escritos de Nietzsche. Além de mostrar também o papel da irmã de Nietzsche na edição das suas obras para o uso como propaganda nazi. Conta também com partes de prosas aforísticas extraídas de obras como a parábola de um louco e assim falou Zaratustra.

Fonte AQUI
 
 

Friedrich Nietzsche (1844-1900) foi um filósofo, escritor e crítico alemão que exerceu grande influência no Ocidente. Sua obra mais conhecida é “Assim Falava Zaratustra”. O pensador estendeu sua influência para além da filosofia, penetrando na literatura, poesia e todos os âmbitos das belas artes.

Infância e Formação

Friedrich Wilhelm Nietzsche nasceu em Röcken, na Alemanha, no dia 15 de outubro de 1844. Era filho, neto e bisneto de pastores protestantes. Com cinco anos de idade ele ficou órfão de pai, ficando aos cuidados da mãe, da avó e da irmã mais velha.

Durante a juventude pretendia seguir o exemplo do pai e dedicou-se à leitura da Bíblia. Com 10 anos entrou para o Ginásio de Naumburgo, e com 14 anos recebeu uma bolsa de estudos de preparação para o clero. Destacou-se nos estudos religiosos, literatura alemã e estudos clássicos, porém começou a questionar os ensinamentos do Cristianismo.

Friedrich Nietzsche formou-se em 1864 e continuou seus estudos em Teologia e Filologia Clássica, na Universidade de Bonn. Em 1865, transferiu-se para a Universidade de Leipzig, indicado pelo mestre Wilhelm Ritschl.

Em 1867, Nietzsche foi convocado para o exército prussiano, quase morreu de uma queda de cavalo, e voltou para continuar seus estudos em Leipzig.

Em 1869, com 25 anos, foi contratado pela Universidade da Basileia como catedrático de Filologia Clássica. Nessa época, compôs obras musicais à maneira de Schumann, fez amizade com Wagner e conheceu a filosofia de Schopenhauer.

Em 1870, com a deflagração da Guerra Franco-Prussiana, pediu licença da universidade e retornou para o Exército. Nesse período, Nietzsche contraiu difteria e voltou para Basileia a fim de se restabelecer.

Primeiro Livro

Em 1871, Nietzsche publicou seu primeiro livro, “O Nascimento da Tragédia no Espírito da Música”. A segunda edição foi pulicada em 1875, com um adendo sobre "Helenismo e Pessimismo". Na obra, Nietzsche sustenta que a tragédia grega teria surgido da fusão de dois componentes: o apolíneo, que representava a medida e a ordem, e o dionisíaco, símbolo da paixão vital e da intuição.

Em 1879, com a saúde abalada, com crises constantes de cefaleia, problemas de visão e dificuldade para falar, Nietzsche foi obrigado a se aposentar. 

Assim Falava Zaratustra (1883)

Em 1883, Nietzsche publicou “Assim Falava Zaratustra”, sua obra mais conhecida, de estilo bíblico e poético, entre o dos pré-socráticos e o dos profetas hebraicos, sob a máscara do lendário sábio persa.

Na obra, estão as ideias-chaves do pensamento de Nietzsche: a ideia de Super-Homem, a ideia de Transmutação de Valores, a ideia de Espírito Senhoril e a ideia de Eterno Retorno. Que derrotariam a moral cristã e o ascetismo servil.

Além do Bem e do Mal (1886)

Nietzsche fez da moral e da religião o alvo de seus combates, considerando sua guerra pessoal contra ambos sua maior vitória. Além do Bem e do Mal é o centro dessa guerra, o primeiro livro entre seus escritos negativos e negadores, conforme ele mesmo declara em seu “Ecce Homo” (1888), publicado postumamente.

De um modo geral, na obra “Além do Bem e do Mal”, Nietzsche desenvolve uma verdadeira crítica da filosofia, da religião e da moral, apontando as congruências existentes entre elas.

O Anticristo

Em 1888, Nietzsche iniciou a obra “O Anticristo”, que só foi publicada em 1895, na qual faz uma comparação com outras religiões, criticando com veemência a mudança de foco que o cristianismo opera, uma vez que o centro da vida passa a ser o além e não o mundo presente.

Últimos Anos

A fase criativa de Nietzsche foi interrompida em 03 de janeiro de 1889, quando sofreu um grave colapso nas ruas de Turim e perdeu definitivamente a razão. Ao ser internado na Basileia, foi diagnosticado com paralisia progressiva, provavelmente em consequência da sífilis.

Quando um exemplar de sua obra-prima, "Assim Falou Zaratustra", foi colocado diante dele, leu-o durante alguns minutos e disse em seguida: "Não sei quem é o autor deste livro. Mas, pelos deuses, que pensador deve ele ter sido!".

Friedrich Nietzsche faleceu em Weimar, Alemanha, no dia 25 de agosto de 1900.

 

 

 

10
Jan22

FRANZ KAFKA

BE - ESJP

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Franz Kafka (1883-1924) foi escritor checo, de língua alemã, considerado um dos principais escritores da Literatura Moderna. Suas obras retratam a ansiedade e a alienação do homem do século XX.

Franz Kafka nasceu em Praga, na época do Império austro-húngaro, na atual República Checa, no dia 3 de julho de 1883. Era filho de Julie Kafka e de Hermann Kafka, rico comerciante judeu.

Cresceu sob a influência das culturas judia, checa e alemã. Sua infância e adolescência foram marcadas pela figura dominadora do pai para quem apenas o sucesso material era importante.

De 1901 a 1906 estudou direito na Universidade de Praga, onde conheceu seu grande amigo Max Brod, seu posterior biógrafo.

Ainda estudante, frequentava os círculos literários e políticos da pequena comunidade judaica onde circulavam ideias e atitudes críticas e inconformistas, com que Kafka se identificava.

Após concluir o curso começou a trabalhar em uma companhia de seguros como inspetor de acidentes de trabalho. Apesar da competência profissional estava sempre insatisfeito, pois não podia se dedicar totalmente à atividade literária como desejava.

Carreira Literária

Kafka teve uma vida emocional conturbada intimidado pela educação severa recebida do pai e pelos noivados e amores infelizes. Tornou-se uma pessoa isolada e rebelde, comportamento que marcou profundamente sua obra.

Kafka só se sentia feliz quando sabia que estava distante da presença do pai e, essa felicidade era cheia de sobressaltos e temores.

O medo é um fator presente em sua obra, todos os seus personagens, que são seu próprio reflexo, são pessoas ou animais que temem algo e, nem mesmo podem explicar a origem e a causa de seu temor.

Em 1909 publicou “Descrição de Uma Luta”, quando manifestou o sentimento de solidão e desamparo que nunca o abandonaria.

Nessa perturbadora narração, que passou quase despercebida, o mundo dos sonhos, tema constante na sua produção, adquiriu uma desconcertante e persistente lógica no mundo da realidade.

Em 1910 começou a escrever os seus "Diários", escrito num caderno com letra nervosa e com trechos riscados e substituídos por outros.

Em 1915, Kafka conhece Milena, que vivia presa a um casamento que se estava a desfazer, o que aconteceu anos depois. Escreve no seu diário que o tempo e a felicidade já passaram e não há muito que esperar de uma existência desperdiçada entre lutas e temores. 

A Metamorfose

Em 1915, Kafka publicou A Metamorfose, em que o personagem acorda certa manhã, de um sonho agitado e se vê transformado em um imenso e repugnante inseto.

A história desenvolve-se num plano de absoluto realismo, com uma precisão de pormenores não somente plausíveis, mas até mesmo banais.

Kafka coloca na obra, sem compaixão e sem obedecer a esquemas políticos ou a conceitos sociológicos, a atmosfera pesada, sufocante e monótona da vida burguesa de uma casa de família.

O Processo

Na obra O Processo, o personagem central é o bancário Joseph K., que é preso e instaurado um processo contra ele por razões que nunca chega a descobrir.

Em geral a ação desenvolve-se num clima de sonhos e pesadelos e delírios misturados a fatos corriqueiros que compõem uma trama em que a irrealidade raia quase a loucura.

O Processo foi escrito entre 1914 e 1915, porém foi deixada inacabada e sem título. A obra só foi publicada em 1925 por seu biógrafo.

Últimos anos

Em 1917, Franz Kafka afastou-se do trabalho devido a uma tuberculose e submeteu-se a longos períodos de repouso. Em 1922 deixou definitivamente o emprego e passou o resto da vida em sanatórios e balneários.

Em 1923 conheceu Dora Dymant que se tornou uma companheira dedicada e o acompanhou em suas estadias nos sanatórios

Franz Kafka faleceu em Kierling, perto de Viena, Áustria, no dia 3 de junho de 1924, com apenas 41 anos.

in ebiografia

 

 

 

10
Jan22

UM AUTOR POR MÊS | FRANZ KAFKA

BE - ESJP

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“Franz Kafka nasceu a 3 de julho de 1883 em Praga, onde o pai era negociante. Pressionado por este, com quem tem difíceis relações, estuda direito numa universidade alemã. A sua  adolescência será marcada pelo ambiente muito particular de Praga, onde se entrecruzam as fraquezas e as contradições da velha Europa.(…) Doutor em direito, entra para uma companhia de seguros em 1907, mas a sua natureza complexa vai adaptar-se dificilmente à vida profissional. Em 1910 começa a escrever os Diários que irá manter com regularidade até 1923.”

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06
Out21

HERGÉ | EXPOSIÇÃO NA GULBENKIAN

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A primeira exposição em Portugal ( de dia 1 de outubro de 2021 a 10 janeiro 2022) dedicada ao autor de Tintin apresenta tesouros do Museu Hergé e revela as diversas facetas do autor, da ilustração à banda desenhada, passando pela publicidade, imprensa ou desenho de moda e artes plásticas.
 
Fundação Calouste Gulbenkian
 
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22
Set21

OSCAR WILDE , O DANDI REBELDE

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Oscar Wilde foi talvez o mais importante dramaturgo da época vitoriana. Criador do movimento dândi, que defendia o belo e o culto da beleza como um antídoto para os horrores da época industrial, Wilde publicou a sua primeira obra em 1881, a que se seguiram duas peças de teatro. A partir de 1887 iniciou uma fase de produção literária intensa, em que escreveu diversos contos, peças de teatro, como A Importância de se Chamar Ernesto, e um romance. Em 1895, foi acusado de homossexualidade e violentamente atacado pela imprensa, tendo-se envolvido num processo que o levou à prisão. Morreu em Paris em 1900.

 

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21
Set21

ANNE FRANK - UM EXEMPLO DE TENACIDADE

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Anne Frank (1929-1945) foi uma jovem judia vítima do regime nazi. Morreu no campo de concentração de Bergen-Belsen, na Alemanha, deixando escrito um diário, que foi publicado por seu pai, sobrevivente do campo de concentração de Auschwitz (Polónia), intitulado "O Diário de Anne Frank".

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20
Set21

JOSÉ AUGUSTO FRANÇA - MAIS QUE UM HISTORIADOR DE ARTE

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Nasceu em Tomar em 1922 e morreu neste sábado (18.09.2021) em Jarzé, localidade francesa perto de Angers, mas foi em Lisboa e Paris que José-Augusto França passou a parte mais produtiva da sua vida. Referência como historiador de arte e nos estudos olissipográficos, deixou também obra na ficção e na crítica de cinema.

A família de José-Augusto França mudou-se de Tomar para Lisboa quando este tinha cinco meses. Começa a sua extensa colaboração na imprensa aos 18 anos, ao escrever crítica de cinema para O Diabo. Em 1945, na sequência da morte do pai, que tinha negócios em Angola, passa um ano em África, mas não se adaptou e regressou a Lisboa, onde publicou um dos primeiros romances críticos do colonialismo, Natureza Morta. É nesta fase que se integra no movimento artístico e intelectual, aquando da criação do Grupo Surrealista de Lisboa, onde se dá com Mário Cesariny, Alexandre O"Neill ou Vespeira, tendo inclusive feito uma incursão na pintura e exposto no primeiro Salão Surrealista, em 1949.

Foi editor do Grande Dicionário de Língua Portuguesa e entre 1951 e 1956 editou o conjunto de cinco publicações Unicórnio, Bicórnio, Tricórnio, Tetracórnio e Pentacórnio, que antologiava inéditos de autores contemporâneos como Almada Negreiros, António Sérgio, Jorge de Sena, Eduardo Lourenço, Vitorino Nemésio, entre outros.

Em 1959, ruma a França, que já tinha visitado em 1946, e onde conhece figuras da cultura como Roland Barthes ou André Breton. Discípulo de Pierre Francastel, é aí que se licencia em Ciências Históricas e Filosóficas, tendo mais tarde completado doutoramentos em História (sobre a reconstrução pombalina de Lisboa, 1962) e em Letras (sobre o romantismo português, 1969) na Sorbonne. Anos mais tarde, entre 1980 e 1986 é diretor do Centro Cultural Português da Fundação Calouste Gulbenkian.

Com o 25 de Abril regressa a Portugal, onde cria o curso de História de Arte na Universidade Nova de Lisboa, mas, casado com uma historiadora de arte francesa, acaba por dividir-se entre Portugal e França.

Entre os cerca de cem livros que publicou escolheu 16 em 2017 para serem reeditados pela Imprensa Nacional Casa da Moeda (INCM). Entre estes destacam-se Lisboa Pombalina e o Iluminismo, A Arte em Portugal no Século XIX, A Arte em Portugal no Século XX, História da Arte Ocidental, 1750-2000 e Lisboa, História Física e Moral. Mas também são uma referência as suas monografias sobre Almada Negreiros e Amadeo de Souza-Cardoso.

Para breve, segundo a Lusa, a INCM prevê a publicação de Estudos das Zonas ou Unidades Urbanas de Carácter Histórico-Artístico em Lisboa, levantamento efetuado por José-Augusto França sobre o património da cidade, em 1967, e que inclui a proposta de Salvaguarda do Património Artístico Arquitectónico e Histórico dos Bairros Tradicionais da Cidade de Lisboa, com plantas, desenhos, um levantamento fotográfico de 292 imagens, realizado em 1968, e o texto do historiador.

Entre outras distinções, José-Augusto França foi agraciado com a Ordem do Infante D. Henrique (1991) e a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique (2006). "Numa época em que a arte portuguesa tem vindo a alcançar o reconhecimento internacional há muito devido, é justo lembrar o muito que devemos a quem incansavelmente produziu um discurso crítico e histórico sobre as artes em Portugal. E ninguém o faz com mais intensidade, sabedoria e distinção do que José-Augusto França", reagiu o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, em nota de pesar.

Fonte DN.pt

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21
Jun21

ISABEL DE PORTUGAL | RAINHA DE ESPANHA E IMPERATRIZ DA ALEMANHA

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Filha de D. Manuel I e da sua segunda esposa, a rainha D. Maria, Isabel de Portugal nasceu em Lisboa, a 25 de outubro de 1503. Ficou conhecida como a imperatriz perfeitíssima, numa Europa recheada de convulsões políticas, religiosas e sociais, por ser mulher e colaboradora do poderoso Carlos V. A sua beleza ficou para sempre imortalizada numa obra de Ticiano.

 

As negociações do casamento entre D. Isabel e o imperador Carlos V começaram no outono de 1522, entre D. João III, seu irmão, e a corte espanhola. Acordaram-se dois casamentos: o de D. João III com Catarina, irmã de Carlos, e o de D. isabel com o imperador. O enlace do rei português deu-se primeiro, tendo o casamento de Isabel demorado mais uns tempos. A recém rainha de Portugal, D. Catarina, terá assim escrito ao irmão a falar-lhe das muitas virtudes e beleza de D. Isabel, sua cunhada. 

(...)

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18
Jun21

SARAMAGO | 1922-2010

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José Saramago: um memorial do filho pródigo de Azinhaga

José de Sousa Saramago. É este o nome que perpetua Azinhaga e o seu concelho, Golegã, no mapa português. As origens são modestas, origens que remontam às tradições agrícolas familiares. 16 de novembro de 1922 vê, então, o seu filho pródigo nascer, vendo-o partir dois anos depois para Lisboa, a capital do país. No entanto, por mais que o conhecimento concentrasse os seus desejos e as suas atenções, a sua família passava por privações económicas e o jovem Saramago, que desejava a universidade, viu-se formado numa escola técnica, trabalhando como serralheiro mecânico. No entanto, isso não inibiu a sua paixão livresca, com as noites a serem usufruídas na Biblioteca Municipal, no agora Palácio Galveias.

A tentação de iniciar a escrita conheceu a sua primeira publicação formal em 1947, com “Terra do Pecado”, uma obra que seria revalorizada nos anos 90. Este lançamento culminou com o nascimento da sua filha, Violante, fruto do casamento com a artista Ilda Reis. Este seria o primeiro matrimónio de dois, tendo, entre ambos, vivido com a autora Isabel da Nóbrega. De 1988 até à sua morte, viria a estar com Pilar del Rio, jornalista e tradutora espanhola, que conheceu dois anos antes, relação que é documentada em “José e Pilar” (2010), num documentário de Miguel Gonçalves Mendes; para além dos “Cadernos de Lanzarote” (1993-1998), com o seu quotidiano e suas reflexões e indagações sobre o mundo e demais obras literárias e filosóficas. O seu percurso profissional passou por ser funcionário público, embora o complementasse com algumas traduções que foi fazendo, de autores como Leon Tolstoi ou Charles Baudelaire.

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15
Jun21

GONÇALO CADILHE | AS VIAGENS E OS LIVROS

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goncalo-cadilhe-molucas.jpgGonçalo Cadilhe é o mais reconhecido escritor de viagens português da actualidade. Tem catorze livros de narrativa de viagem e três coffee-tables de fotografia. Os seus títulos somam dezenas de reedições. Várias das suas obras encontram-se incluídas na listagem do Plano Nacional de Leitura. Viagens, biografias históricas, surf e encontros de vida são os seus temas de eleição. 

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15
Jun21

OLGA TOKARCZUK

BE - ESJP

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Prémio Nobel da Literatura 2018

Olga Tokarczuk nasceu em Sulechów, uma pequena cidade polaca, em 1962. Formada em Psicologia, publicou o seu primeiro livro em 1989, uma coletânea de poesia intitulada Miasta w lustraché, seguindo-se os romances E. E. e Prawiek i inne czasy, tendo sido este último um sucesso.
A partir daí, a sua prosa afastou-se da narrativa mais convencional, aproximando-se da prosa breve e do ensaio. Uma das melhores e mais apreciadas autoras de hoje, a obra de Olga Tokarczuk tem sido alvo de várias distinções, nacionais e internacionais. Recebeu por duas vezes o mais importante prémio literário do seu país, o Prémio Nike; em 2018, foi finalista do Prémio Fémina Estrangeiro e vencedora do Prémio Internacional Man Booker. Os seus livros estão traduzidos em trinta línguas.
Em 2019, foi distinguida pela Academia Sueca com o Prémio Nobel de Literatura pela sua «imaginação narrativa, que com uma paixão enciclopédica representa o cruzamento de fronteiras como forma de vida».

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25
Mai21

LAWRENCE DURREL (1912-1990)

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Lawrence George Durrell nasceu em 27 de fevereiro de 1912, em Jullundur, no norte da Índia, perto do Tibete. Seu pai inglês, Lawrence Samuel Durrell, e sua mãe irlandesa-inglesa, Louisa Florence Dixie, também nasceram na Índia. Essa mistura de nacionalidades marcou a imaginação criativa de Durrell. Ele alegaria anos mais tarde que tinha "uma mentalidade tibetana".

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13
Mai21

FERNANDO PESSOA

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Fernando Pessoa é um dos mais importantes escritores portugueses do modernismo e poetas de língua portuguesa. Este ano comemora-se os 133 anos do seu nascimento.

Destacou-se na poesia, com a criação de seus heterônimos sendo considerado uma figura multifacetada. Trabalhou como crítico literário, crítico político, editor, jornalista, publicitário, empresário e astrólogo.

Nessa última tarefa, vale destacar que Fernando Pessoa explorou o campo da astrologia, sendo um exímio astrólogo e apreciador do ocultismo.

 

06
Mai21

JORGE DE SENA - BIOGRAFIA

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col-lite-6941.jpgJorge Cândido de Sena nasceu no dia de Finados de 1919, em Lisboa. Era filho de Maria da Luz Teles Grilo e de Augusto Raposo de Sena, comandante da ma­rinha mercante. A sua infância de «filho único e tardio» sem amigos, salvo primos e primas, com quem raramente brincava, muito protegido pela mãe e com um pai largamente ausente, foi extre­mamente solitária. Com as devidas distâncias entre a ficção e a biografia, o seu conto «Home­nagem ao papagaio verde», deixa entrever o ambiente dramático familiar, marcado, do ponto de vista da criança, por uma «solidão acorrentada».

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26
Abr21

LÍDIA JORGE

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Escritora portuguesa, natural de Boliqueime (Algarve). Estudou Filologia Românica na Universidade de Lisboa, dedicando-se, depois, ao ensino liceal. Como professora, trabalhou em Angola e Moçambique, radicando-se posteriormente em Lisboa, onde é professora universitária e colaboradora de vários jornais e revistas. Membro de diversos júris de prémios literários e da Alta Autoridade para a Comunicação Social, os seus romances têm uma grande variedade temática. Estão sobretudo ligados aos problemas colectivos do povo português e às circunstâncias históricas e mudanças da sociedade nacional após o 25 de Abril de 1974, assim como à condição feminina. Têm sido, por vezes, associados à literatura sul-americana, pela presença, neles de elementos fantásticos. A cultura de tradição oral, a linguagem dos grupos arcaicos, os seus mitos e simbologias sociais, servem também o objectivo de reflexão sobre a identidade cultural portuguesa. A sua escrita reflecte a captação da oralidade, bem como uma estrurura narrativa em que se afirma, a par do discurso do narrador, o discurso das personagens. A perspectiva da narrativa desdobra-se assim num experimentalismo que marca, sobretudo, as suas primeiras obras.

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