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Biblioteca Escolar ESJP

06
Out21

HERGÉ | EXPOSIÇÃO NA GULBENKIAN

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A primeira exposição em Portugal ( de dia 1 de outubro de 2021 a 10 janeiro 2022) dedicada ao autor de Tintin apresenta tesouros do Museu Hergé e revela as diversas facetas do autor, da ilustração à banda desenhada, passando pela publicidade, imprensa ou desenho de moda e artes plásticas.
 
Fundação Calouste Gulbenkian
 
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23
Set21

FAUSTO | GOETHE

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Fausto, (Fauto I -1806; Fausto II - 1832 ) além de ser a obra simbólica da vida de Goethe, adquire também significado universal por materializar o mito do homem moderno, o homem que busca dar significado a sua vida, que precisa tocar o eterno e compreender o misterioso. Sob este aspecto, o mito faústico transforma-se em um “mito vivo”, um relato que confere modelo para a conduta humana.

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22
Set21

OSCAR WILDE , O DANDI REBELDE

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Oscar Wilde foi talvez o mais importante dramaturgo da época vitoriana. Criador do movimento dândi, que defendia o belo e o culto da beleza como um antídoto para os horrores da época industrial, Wilde publicou a sua primeira obra em 1881, a que se seguiram duas peças de teatro. A partir de 1887 iniciou uma fase de produção literária intensa, em que escreveu diversos contos, peças de teatro, como A Importância de se Chamar Ernesto, e um romance. Em 1895, foi acusado de homossexualidade e violentamente atacado pela imprensa, tendo-se envolvido num processo que o levou à prisão. Morreu em Paris em 1900.

 

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21
Set21

ANNE FRANK - UM EXEMPLO DE TENACIDADE

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Anne Frank (1929-1945) foi uma jovem judia vítima do regime nazi. Morreu no campo de concentração de Bergen-Belsen, na Alemanha, deixando escrito um diário, que foi publicado por seu pai, sobrevivente do campo de concentração de Auschwitz (Polónia), intitulado "O Diário de Anne Frank".

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23
Jun21

VALTER HUGO MÃE | AUTOBIOGRAFIA

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valter-hugo-mae.jpgnasci no dia vinte e cinco de setembro de mil novecentos e setenta e um, numa cidade angolana outrora chamada henrique de carvalho , hoje conhecida por saurimo. o meu pai trabalhava no banco de angola, antes disso havia sido militar, e passava o tempo arrastando a família de cidade para cidade. a minha irmã marisol nasceu em luanda, o meu irmão marco em nova lisboa e a minha irmã flor nasceu nas férias em guimarães. (...)

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23
Jun21

COMO NASCE A POESIA | ALLAN POE

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No ensaio Filosofia da Composição (1846), o escritor norte-americano Edgar Allan Poe desnuda o percurso da criação poética, servindo-se do seu célebre poema “O Corvo” – “The Raven” na língua original – como meio para explicar a criação artística.

Refletindo sobre as motivações da produção literária, o autor assinala que as narrativas tendem a fornecer uma tese, bem como a assumirem-se como um relato de experiências vivenciais, às quais se aliam as descrições, os diálogos e os comentários do escritor. Poe, que interpreta as respetivas motivações como um erro, defende essencialmente a importância do efeito, que deverá acarretar um outro traço relevante: a originalidade.

O escritor norte-americano destaca o quão interessante seria chegar até ao leitor um artigo – que nem um diário de bordo – no qual cada autor registasse todos os passos da sua produção literária de modo a desmitificá-la. Porém, parece-lhe que o desejo em manter uma perceção romântica da produção artística tende a imperar, fazendo dominar a ideia de criação inspirada e intuitiva.

Contrariando este paradigma, Poe apresenta o modus operandi utilizado para construir um dos seus poemas mais afamados: “O Corvo”. A questão está colocada: como se elabora um poema? Na perspetiva do autor, não há obra que não seja meticulosamente pensada, estabelecendo até um paralelismo entre um poema e “a lógica rigorosa dum problema matemático”.

Em primeiro lugar, o escritor deverá focar-se na extensão da obra, que deverá fazer jus à elevação ou excitação que o poema comporta e proporciona. Por conseguinte, a extensão da obra poética será crucial na difusão do seu efeito. Poe propõe a solução: o seu poema deverá conter cerca de cem versos; cento e oito, com precisão.

A segunda questão que se impõe é a escolha da impressão, ou seja, que efeito o escritor pretende disseminar no âmago do leitor. Para o autor norte-americano, é fundamental que um poema seja “universalmente apreciável”, outorgando à beleza o traço medular da poesia. Portanto, se o belo é a expressão mais eloquente da poesia, “qual será o tom da sua mais alta manifestação”? Esta nova inquietação traz consigo uma resposta que toca todo o ser humano: a tristeza e a melancolia.

Tendo em conta que a extensão, a impressão e o tom estão pensados, segue-se uma quarta reflexão: a chave para a elaboração de um poema. Na perspetiva de Poe, não há nada mais universal do que um estribilho singular que, de modo a equilibrar a facilidade de variação e a brevidade da frase, se resumiria a uma só palavra. Ao construir o seu poema com um refrão, torna-se imprescindível que a obra se divida em estâncias, sendo estas concluídas pelo mesmo. Consequentemente, Poe deduz que, de modo a atribuir ênfase ao estribilho, tornou-se premente escolher sons que fizessem jus à melancolia do poema. Opta, portanto, por um o extenso que associa a um r bem vigoroso. A junção destes sons encaminhou o autor para a palavra nevermore (nunca mais).

desideratum seguinte foi selecionar o pretexto em que a respetiva palavra fosse empregada continuamente. Pareceu-lhe mais sensato que fosse proferida por um animal dotado de palavra, tendo considerado o papagaio, mas rapidamente substituído pelo corvo, que, também dotado de palavra, se adequa mais ao tom melancólico do poema.

Qual seria, por conseguinte, o topus mais poético e universal de todos? A morte surge-lhe como resposta. Morte de uma mulher bela, morte chorada por um amante que se vê privado do seu amor. Um cadáver, um amante martirizado e um corvo que profere nevermore são os elementos que constituem o poema. Porém, como combinar os três eixos? Resguardando-se da escuridão e da tempestade, o corvo entraria pela janela e viria responder às questões apaixonadas, supersticiosas e desesperadas de um amante derrotado no seu quarto, espaço este santificado.

A deceção, o desgosto e a raiva do sujeito avolumam-se quando o termo evocado continuamente pelo corvo o privam todas as esperanças de rever a mulher amada. Quando o poema se encontra no apogeu está, assim, pronto a ser terminado, pois “até ao momento, cada coisa ficou nos limites do explicável, do real.” Em suma, na perspetiva de Poe, um poema deverá mesclar um tanto de complexidade e um tanto de sugestividade, procurando que o “excesso de sentido sugerido” seja uma subcorrente do tema e não a sua corrente superior.

Ao longo d’A Filosofia da Composição, Poe opõe-se, assim, à conceção romântica da criação artística, deslindando e desmistificando a origem do trabalho poético, configurando-o como um processo árduo e de reflexão.

Texto de Cátia Sousa Vieira

https://www.comunidadeculturaearte.com/como-nasce-a-poesia-nas-palavras-de-edgar-allan-poe/?fbclid=IwAR1C7k58GsueIQD9m6UFkB5W7xqJVxRr3DDJihu8escv0QivdEHTX2seYq8

21
Jun21

SUGESTÃO DA SEMANA PNL | VIRGINIA WOOLF - MRS DALLOWAY

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“Numa clara manhã de primavera, Clarissa Dalloway resolve sair para comprar flores para a festa que acolherá naquela mesma noite, em sua casa. Enquanto passeia pelas ruas de Londres, são recolhidas imagens, sensações e ideias, entrelaçadas com as personagens que habitam o seu mundo - do marido, Richard Dalloway, à filha, Elizabeth, e a Peter Walsh, amigo de juventude acabado de voltar da Índia - e que com ele se cruzam - como Septimus Warren Smith, veterano da Primeira Guerra Mundial assombrado pela doença mental. Romance que revelou em pleno o talento de Virginia Woolf, a sua perspicácia, a sensibilidade transparente e, sobretudo, a arte suprema de descrever os segredos das almas - não os atos mas as sensações que eles despertam - fazem de Mrs Dalloway uma obra-prima indiscutível da literatura universal.”

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18
Jun21

SARAMAGO | 1922-2010

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José Saramago: um memorial do filho pródigo de Azinhaga

José de Sousa Saramago. É este o nome que perpetua Azinhaga e o seu concelho, Golegã, no mapa português. As origens são modestas, origens que remontam às tradições agrícolas familiares. 16 de novembro de 1922 vê, então, o seu filho pródigo nascer, vendo-o partir dois anos depois para Lisboa, a capital do país. No entanto, por mais que o conhecimento concentrasse os seus desejos e as suas atenções, a sua família passava por privações económicas e o jovem Saramago, que desejava a universidade, viu-se formado numa escola técnica, trabalhando como serralheiro mecânico. No entanto, isso não inibiu a sua paixão livresca, com as noites a serem usufruídas na Biblioteca Municipal, no agora Palácio Galveias.

A tentação de iniciar a escrita conheceu a sua primeira publicação formal em 1947, com “Terra do Pecado”, uma obra que seria revalorizada nos anos 90. Este lançamento culminou com o nascimento da sua filha, Violante, fruto do casamento com a artista Ilda Reis. Este seria o primeiro matrimónio de dois, tendo, entre ambos, vivido com a autora Isabel da Nóbrega. De 1988 até à sua morte, viria a estar com Pilar del Rio, jornalista e tradutora espanhola, que conheceu dois anos antes, relação que é documentada em “José e Pilar” (2010), num documentário de Miguel Gonçalves Mendes; para além dos “Cadernos de Lanzarote” (1993-1998), com o seu quotidiano e suas reflexões e indagações sobre o mundo e demais obras literárias e filosóficas. O seu percurso profissional passou por ser funcionário público, embora o complementasse com algumas traduções que foi fazendo, de autores como Leon Tolstoi ou Charles Baudelaire.

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15
Jun21

GONÇALO CADILHE | AS VIAGENS E OS LIVROS

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goncalo-cadilhe-molucas.jpgGonçalo Cadilhe é o mais reconhecido escritor de viagens português da actualidade. Tem catorze livros de narrativa de viagem e três coffee-tables de fotografia. Os seus títulos somam dezenas de reedições. Várias das suas obras encontram-se incluídas na listagem do Plano Nacional de Leitura. Viagens, biografias históricas, surf e encontros de vida são os seus temas de eleição. 

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15
Jun21

SUGESTÃO DA SEMANA PNL | VIAGENS

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Publicado originalmente em 2007 no polaco nativo da autora, Viagens, cuja tradução para inglês venceu, em 2018, o Man Booker Prize, é o 12º livro de Olga Tokarczuk, um dos maiores nomes da literatura contemporânea no seu país Natal.

“Bieguni”, seu interessante título original, refere-se a um grupo de “old believers” que rejeitam a vida sedentária e acreditam que a viagem, o movimento, são essenciais para evitar o mal e a tragédia. Sendo Olga Tokarczuk formada em psicologia, não será de estranhar a sua curiosidade por um comportamento humano tão aparentemente inverso ao que são as nossas convenções sociais.

Esta escolha reflete a filosofia na qual Tokarczuk se parece basear para o desenvolvimento da sua obra, inconformada com uma única corrente literária. O seu estilo fragmentado será, talvez, um pouco desconcertante para o leitor durante os capítulos iniciais, ganhando alguma justificação e sentido ao longo das mais de 300 páginas compostas por pequenas “viagens” ao longo do espaço e tempo, numa amálgama de formas estilísticas onde se misturam ensaios e narrativas de ficção mais ou menos longas com algumas personagens históricas em aparições esporádicas.

Estes fragmentos, parecendo inicialmente sem qualquer tipo de relação entre si, têm em comum o tema do movimento, do lar físico e espiritual – o corpo humano e uma curiosidade um pouco macabra sobre anatomia tomam um papel central em várias das narrativas – desde uma ex-amante de um monarca que tenta desesperadamente recuperar o cadáver do pai, a um homem que perde o rasto à sua mulher e filho, à irmã do compositor Chopin que tenta encontrar um local de repouso para o coração do mesmo após a sua morte. Olga Tokarczuk parece então perguntar-nos: qual o nosso próximo destino? Qual o significado de lar, corpo, e a sua importância material e espiritual?

Uma das críticas mais recorrentes e pertinentes a este Viagens é a falta de enquadramento oferecida para muitas das escolhas da autora – quer sejam os mapas que surgem de forma aparentemente aleatória entre fragmentos narrativos, quer sejam histórias sem finalização, que podem deixar o leitor com um sentimento de frustração para com a leitura. Mas, talvez, também esse seja o propósito quando se fala de viagens. Afinal, Tokarczuk não se refere a turismo e ao encontro de pontos previamente demarcados num mapa (até porque o seu livro não segue qualquer tipo de padrão literário a que a maioria dos leitores esteja habituado), mas à filosofia nómada, de deixar um local, uma história e partir para a seguinte sem a preocupação de olhar para trás.

É uma perspetiva discutível, uma vez que algumas narrativas são revisitadas e deixadas com um certo tom de finalização, enquanto outras são tão breves que nos podemos perguntar o porquê de ali se encontrarem. Algumas das secções conseguem fazer sentido individualmente, enquanto outras parecem deixar mais questões que respostas, sem acrescentarem nada de relevante ao que a autora transmite no total das partes que constituem a obra, fazendo com que esta se alongue desnecessariamente em certos pontos.

Viagens é uma incursão infinitamente interessante pela mente da autora, que irá necessitar de alguma concentração por parte do leitor para combater a sua deliberada ambiguidade. Ainda assim, acaba por ser compensatória na escrita descomplicada e envolvente de Tokarczuk, traduzindo-se num exercício de literatura bastante agradável e original, sem se tornar demasiado cansativo ou complexo, ao alcance de qualquer leitor curioso que se predisponha ao desafio.

Fonte: Maria João Soares in Comunidade Cultura e Arte

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15
Jun21

MARATONA DE LEITURA | SERTÃ DE 30 DE JUNHO A 3 DE JULHO

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A Maratona da Leitura – 24 Horas a Ler é hoje um dos principais eventos culturais do Interior português, cujo principal propósito é desafiar os leitores a ler em voz alta excertos de obras dos seus autores preferidos. 

A celebração da leitura em voz em alta tem neste certame o seu máximo expoente, promovendo, ao mesmo tempo, a paixão pelos livros e o gosto pela leitura. Todos os anos tem destacado uma figura célebre, à volta da qual decorreram várias iniciativas paralelas, desde tertúlias até encontros temáticos ou sessões de leitura em lugares inesperados, como o sopé de uma serra ou o leito de um rio. Nas últimas edições invocámos personalidades tão distintas como Hans Christian Andersen, Fernando Pessoa, Nuno Álvares Pereira ou Padre Manuel Antunes.

Uma das características do evento é promover a região, através da descentralização das atividades que acontecem um pouco por todo o concelho da Sertã, privilegiando-se locais de rara beleza. Passeios de barco no Rio Zêzere, encontros com escritores no seio da natureza ou em edifícios emblemáticos, passeios pedestres que conciliam a contemplação do espaço envolvente e o trabalho literário dos escritores presentes, são alguns dos exemplos dos principais momentos da Maratona da Leitura.

Uma particularidade do evento são as Festas na Aldeia, muitos locais dispersos e isolados do concelho da Sertã são visitados por uma biblioteca itinerante e por um contador de histórias. O objetivo é proporcionar aos residentes o contacto em primeira mão com os livros e a leitura, num verdadeiro espírito de festa!

Contamos sempre com inúmeros escritores convidados. Na maratona já estiveram nomes como Pedro Mexia, Valter Hugo Mãe, Mário Zambujal, Francisco Moita Flores, Miguel Real, Jaime Nogueira Pinto, Pedro Lamares, Vergílio Alberto Vieira ou o radialista Fernando Alves.

Em 2018 mereceu uma menção honrosa no âmbito das Boas Práticas em Bibliotecas Públicas da Direção Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas.

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09
Jun21

MÁRIO DE CARVALHO

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Mário de Carvalho nasceu em Lisboa em 1944. Licenciou-se em Direito e viu o serviço militar interrompido pela prisão. Desde muito cedo ligado aos meios da resistência contra o salazarismo, foi condenado a dois anos de cadeia, tendo de se exilar após cumprir a maior parte da pena. Depois da Revolução dos Cravos, em que se envolveu intensamente, exerceu advocacia em Lisboa. O seu primeiro livro, Contos da Sétima Esfera, causou surpresa pelo inesperado da abordagem ficcional e pela peculiar atmosfera, entre o maravilhoso e o fantástico.

Desde então, tem praticado diversos géneros literários – Romance, Novela, Conto, Ensaio, Crónica e Teatro –, percorrendo várias épocas e ambientes, sempre em edições sucessivas. Utiliza uma multiforme mudança de registos, que tanto pode moldar uma narrativa histórica como um romance de atualidade; um tema dolente e sombrio como uma sátira viva e certeira; uma escrita cadenciada e medida como a pulsão de uma prosa endiabrada e surpreendente.

Nas diversas modalidades de Romance, Conto, Crónica e Teatro, foram atribuídos a Mário de Carvalho os prémios literários mais prestigiados (designadamente os Grandes Prémios de Romance e Novela, Conto e Teatro da APE, prémios do Pen Clube Português e o prémio internacional Pégaso de Literatura). Os seus livros encontram-se traduzidos em várias línguas.

Obras como Os Alferes, A Inaudita Guerra da Avenida Gago Coutinho, Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde, O Varandim seguido de Ocaso em Carvangel, A Liberdade de Pátio ou Ronda das Mil Belas em Frol são a comprovação dessa extrema versatilidade.

 

09
Jun21

SUGESTÃO DE LEITURA | MÁRIO DE CARVALHO

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"O que eu ouvi na barrica das maçãs"
Esta obra engloba várias crónicas, escritas por Mário de Carvalho e publicadas pelo Jornal Público e Jornal de Letras, ao longo dos anos 80 e 90 do século XX. Abordam reflexões que abrangem diferentes temáticas, do jornalismo, à religião, ao quotidiano, incluindo, entre outros, textos em que está sujacente a dimensão política. Numa escrita singular e de grande riqueza descritiva, em que a ironia contrasta com a observação crítica da realidade envolvente, num vocabulário muito próprio e não convencional, mostrando tanto a sua faceta de cidadão atento como a de ficcionista.
 
Reconhecido como um dos mais importantes escritores portugueses da actualidade, a sua faceta de cronista passou despercebida à maior parte dos leitores; daí esta selecção das suas melhores crónicas publicadas nas décadas de oitenta e noventa do século passado no Público e no Jornal de Letras. Delas emergem o ficcionista, o cidadão, o comunicador e o memorialista, em textos que alguns diriam proféticos e, nas palavras de Francisco Belard: «testemunhos de um largo campo de assuntos, abordagens, dimensões e estilos, através de eras e lugares, sinais de um escritor que declaradamente prefere viajar no discurso e decurso do tempo e do espaço doméstico a fazê-lo em itinerários geográficos, programados e turísticos. Por tudo isto […], os leitores dos romances o vão reencontrar em mudáveis cenários e perspectivas, de outros pontos de vista, na familiaridade e na estranheza diante do seu mundo, que faz nosso.»

 

08
Jun21

SUGESTÃO DA SEMANA | COM O MAR POR MEIO...

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«Desta ilha de Lanzarote, com o mar por meio, mas com braços tão longos que alcançam a Bahia, nós, e os mais que cá estão, parentes e amigos, admiradores todos, vos enviamos muito saudar e votos valentes contra as coisas negativas da vida.

A amizade entre Jorge Amado e José Saramago teve início quando os dois já iam maduros nos anos e na carreira literária. O vínculo tardio, porém, não impediu que os escritores criassem um forte laço, estendido às suas companheiras de vida, Zélia Gattai e Pilar del Río.

Reunida neste livro, a correspondência inédita entre os dois mestres da língua portuguesa vem finalmente a público. São cartas, bilhetes, cartões, faxes e mensagens várias, enviadas ao longo de seis anos, com uma rica troca de ideias sobre questões tanto da vida íntima como da conjuntura contemporânea, sempre com afeto e bom humor.

Ilustrado com fac-símiles e fotos raras, Com o mar por meio é um documento que ilustra uma bela amizade - esse «manjar supremo» da vida - e aproxima o leitor do universo particular de dois dos maiores nomes da literatura de língua portuguesa.»

In  Com o mar por meio.  Uma amizade em cartas -  Jorge Amado  e José Saramago (2107). Companhia das Letras

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07
Jun21

CONCURSO DE LEITURA EXPRESSIVA | 9 de junho 2021

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O concurso de leitura expressiva “Leituras na Planície” é organizado pelos Professores Bibliotecários dos Agrupamentos de Redondo, Moura, Portel, Manuel Ferreira Patrício (Évora) e André de Gouveia (Évora) e coadjuvado pela Rede de Bibliotecas Escolares através dos respetivos Coordenadores Interconcelhios.

O Concurso tem como objetivos principais a promoção do gosto pela leitura, o contacto com os livros, bem como o desenvolvimento da expressividade/ leitura expressiva em voz alta.

A iniciativa decorreu em 3 fases: em sala de aula com os professores titulares de turma ou professores de Português, na Biblioteca Escolar, uma pré-seleção a cargo do grupo de trabalho, visando apurar 3 alunos por cada ano de escolaridade 

A fase final decorrerá de forma síncrona, através de uma plataforma online, e será transmitida, em direto no dia 9 de junho, através de link disponibilizado a todos os agrupamentos participantes.

O júri desta fase será constituído por um representante de cada uma das seguintes instituições: Rede de Bibliotecas Escolares, Plano Nacional de Leitura, Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares da Região do Alentejo, Fundação Eugénio de Almeida e Câmara Municipal de Redondo.

Participaram nesta iniciativa 23 Agrupamentos de Escolas e estarão na final 113 alunos (3 alunos por ano de escolaridade de todos os níveis de ensino).

Consulte o programa.

 

02
Jun21

SUGESTÃO DA SEMANA | O FIO DA NAVALHA

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“William Somerset Maugham, filho de pais ingleses a viverem em França, nasceu em 1874, na embaixada britânica de Paris, de modo a escapar à obrigatoriedade de cumprir serviço militar imposta a todos os cidadãos nascidos em solo francês. Dramaturgo e romancista, antes de deflagrar a Primeira Guerra Mundial, Maugham já havia publicado dez romances e igual número de peças de teatro da sua autoria haviam subido a palco. Rapidamente se tornou um dos mais célebres escritores do seu tempo, e também um dos mais bem pagos. Quando ficou órfão de ambos os pais, antes de completar dez anos, foi enviado para Inglaterra, permanecendo ao cuidado de um tio. Mudou de país e mudou de língua – a adaptação não decorreu pacificamente. Com dezasseis anos, convenceu o tio a deixá-lo estudar na Alemanha, onde se dedicaria à literatura, à filosofia e à língua alemã. Aqui assumiria a sua bissexualidade, tendo a primeira relação homossexual, e aqui escreveria o seu primeiro livro, uma biografia do compositor Giacomo Meyerbeer. Quando regressou a Inglaterra, Somerset Maugham já tinha a certeza de que queria ser escritor. Durante a Primeira Guerra Mundial, o escritor viajou pela Índia e pelo Sudeste Asiático, experiência que lhe serviu de mote para várias obras. Entre os seus livros mais notáveis, encontram-se Servidão HumanaO Fio da Navalha e A Carta. Somerset Maugham morreu na sua casa do Sul de França em 1965, e as suas cinzas foram espalhadas perto da Biblioteca Maugham, em Inglaterra.”

“William Somerset Maugham, filho de pais ingleses a viverem em França, nasceu em 1874, na embaixada britânica de Paris, de modo a escapar à obrigatoriedade de cumprir serviço militar imposta a todos os cidadãos nascidos em solo francês. Dramaturgo e romancista, antes de deflagrar a Primeira Guerra Mundial, Maugham já havia publicado dez romances e igual número de peças de teatro da sua autoria haviam subido a palco. Rapidamente se tornou um dos mais célebres escritores do seu tempo, e também um dos mais bem pagos. Quando ficou órfão de ambos os pais, antes de completar dez anos, foi enviado para Inglaterra, permanecendo ao cuidado de um tio. Mudou de país e mudou de língua – a adaptação não decorreu pacificamente. Com dezasseis anos, convenceu o tio a deixá-lo estudar na Alemanha, onde se dedicaria à literatura, à filosofia e à língua alemã. Aqui assumiria a sua bissexualidade, tendo a primeira relação homossexual, e aqui escreveria o seu primeiro livro, uma biografia do compositor Giacomo Meyerbeer. Quando regressou a Inglaterra, Somerset Maugham já tinha a certeza de que queria ser escritor. Durante a Primeira Guerra Mundial, o escritor viajou pela Índia e pelo Sudeste Asiático, experiência que lhe serviu de mote para várias obras. Entre os seus livros mais notáveis, encontram-se Servidão HumanaO Fio da Navalha e A Carta. Somerset Maugham morreu na sua casa do Sul de França em 1965, e as suas cinzas foram espalhadas perto da Biblioteca Maugham, em Inglaterra.”

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A vida de Larry Darrell muda para sempre quando um amigo e colega de combate morre ao tentar salvá-lo. Para o jovem aviador americano, a morte passa então a ter um rosto. O inexorável mistério da morte leva-o a questionar o significado último da frágil condição humana e a embarcar numa obstinada e redentora odisseia espiritual.
Ao recusar viver segundo as convenções impostas pela sociedade para buscar o sentido da vida (que encontrará, certa manhã, algures na Índia), Larry torna-se simultaneamente uma frustração para os que o rodeiam – principalmente para Isabel, a namorada, e Elliott, tio desta, que cultivam acima de tudo a aceitação e o prestígio sociais – e a personificação de um ideal de espiritualidade e não-compromisso.

Por duas vezes adaptado ao cinema, "O Fio da Navalha" é um romance intemporal. As ansiedades e dúvidas de Larry são também as nossas; continuamos até hoje a buscar um sentido para a nossa existência. Para encarnar essa luta contra o destino, Somerset Maugham criou um dos mais fascinantes personagens do seu vasto legado literário. Da Primeira à Segunda Guerra Mundial, passando pela Grande Depressão, ele leva-nos, através das sociedades francesa, americana e inglesa, à verdade mais recôndita da alma e do sentimento humanos.