Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Biblioteca Escolar ESJP

23
Jun21

VALTER HUGO MÃE | AUTOBIOGRAFIA

BE - ESJP

valter-hugo-mae.jpgnasci no dia vinte e cinco de setembro de mil novecentos e setenta e um, numa cidade angolana outrora chamada henrique de carvalho , hoje conhecida por saurimo. o meu pai trabalhava no banco de angola, antes disso havia sido militar, e passava o tempo arrastando a família de cidade para cidade. a minha irmã marisol nasceu em luanda, o meu irmão marco em nova lisboa e a minha irmã flor nasceu nas férias em guimarães. (...)

Ler+ AQUI

 

23
Jun21

COMO NASCE A POESIA | ALLAN POE

BE - ESJP

foto-de-edgar-allan-poe-2.jpg.crdownload

No ensaio Filosofia da Composição (1846), o escritor norte-americano Edgar Allan Poe desnuda o percurso da criação poética, servindo-se do seu célebre poema “O Corvo” – “The Raven” na língua original – como meio para explicar a criação artística.

Refletindo sobre as motivações da produção literária, o autor assinala que as narrativas tendem a fornecer uma tese, bem como a assumirem-se como um relato de experiências vivenciais, às quais se aliam as descrições, os diálogos e os comentários do escritor. Poe, que interpreta as respetivas motivações como um erro, defende essencialmente a importância do efeito, que deverá acarretar um outro traço relevante: a originalidade.

O escritor norte-americano destaca o quão interessante seria chegar até ao leitor um artigo – que nem um diário de bordo – no qual cada autor registasse todos os passos da sua produção literária de modo a desmitificá-la. Porém, parece-lhe que o desejo em manter uma perceção romântica da produção artística tende a imperar, fazendo dominar a ideia de criação inspirada e intuitiva.

Contrariando este paradigma, Poe apresenta o modus operandi utilizado para construir um dos seus poemas mais afamados: “O Corvo”. A questão está colocada: como se elabora um poema? Na perspetiva do autor, não há obra que não seja meticulosamente pensada, estabelecendo até um paralelismo entre um poema e “a lógica rigorosa dum problema matemático”.

Em primeiro lugar, o escritor deverá focar-se na extensão da obra, que deverá fazer jus à elevação ou excitação que o poema comporta e proporciona. Por conseguinte, a extensão da obra poética será crucial na difusão do seu efeito. Poe propõe a solução: o seu poema deverá conter cerca de cem versos; cento e oito, com precisão.

A segunda questão que se impõe é a escolha da impressão, ou seja, que efeito o escritor pretende disseminar no âmago do leitor. Para o autor norte-americano, é fundamental que um poema seja “universalmente apreciável”, outorgando à beleza o traço medular da poesia. Portanto, se o belo é a expressão mais eloquente da poesia, “qual será o tom da sua mais alta manifestação”? Esta nova inquietação traz consigo uma resposta que toca todo o ser humano: a tristeza e a melancolia.

Tendo em conta que a extensão, a impressão e o tom estão pensados, segue-se uma quarta reflexão: a chave para a elaboração de um poema. Na perspetiva de Poe, não há nada mais universal do que um estribilho singular que, de modo a equilibrar a facilidade de variação e a brevidade da frase, se resumiria a uma só palavra. Ao construir o seu poema com um refrão, torna-se imprescindível que a obra se divida em estâncias, sendo estas concluídas pelo mesmo. Consequentemente, Poe deduz que, de modo a atribuir ênfase ao estribilho, tornou-se premente escolher sons que fizessem jus à melancolia do poema. Opta, portanto, por um o extenso que associa a um r bem vigoroso. A junção destes sons encaminhou o autor para a palavra nevermore (nunca mais).

desideratum seguinte foi selecionar o pretexto em que a respetiva palavra fosse empregada continuamente. Pareceu-lhe mais sensato que fosse proferida por um animal dotado de palavra, tendo considerado o papagaio, mas rapidamente substituído pelo corvo, que, também dotado de palavra, se adequa mais ao tom melancólico do poema.

Qual seria, por conseguinte, o topus mais poético e universal de todos? A morte surge-lhe como resposta. Morte de uma mulher bela, morte chorada por um amante que se vê privado do seu amor. Um cadáver, um amante martirizado e um corvo que profere nevermore são os elementos que constituem o poema. Porém, como combinar os três eixos? Resguardando-se da escuridão e da tempestade, o corvo entraria pela janela e viria responder às questões apaixonadas, supersticiosas e desesperadas de um amante derrotado no seu quarto, espaço este santificado.

A deceção, o desgosto e a raiva do sujeito avolumam-se quando o termo evocado continuamente pelo corvo o privam todas as esperanças de rever a mulher amada. Quando o poema se encontra no apogeu está, assim, pronto a ser terminado, pois “até ao momento, cada coisa ficou nos limites do explicável, do real.” Em suma, na perspetiva de Poe, um poema deverá mesclar um tanto de complexidade e um tanto de sugestividade, procurando que o “excesso de sentido sugerido” seja uma subcorrente do tema e não a sua corrente superior.

Ao longo d’A Filosofia da Composição, Poe opõe-se, assim, à conceção romântica da criação artística, deslindando e desmistificando a origem do trabalho poético, configurando-o como um processo árduo e de reflexão.

Texto de Cátia Sousa Vieira

https://www.comunidadeculturaearte.com/como-nasce-a-poesia-nas-palavras-de-edgar-allan-poe/?fbclid=IwAR1C7k58GsueIQD9m6UFkB5W7xqJVxRr3DDJihu8escv0QivdEHTX2seYq8

21
Jun21

TUDO O QUE EU QUERO | EXPOSIÇÃO NA GULBENKIAN ATE 23 DE AGOSTO

BE - ESJP

1594712.jpg

exposição Tudo o que eu quero, com cerca de 240 obras de 40 artistas portuguesas, criada para contrariar a invisibilidade feminina na História da Arte, ficará disponível online a partir desta terça-feira na plataforma Google Arts & Culture.

De acordo com a plataforma, por ser digital, os curadores da exposição resultante da iniciativa do Ministério da Cultura e da Fundação Calouste Gulbenkian incluíram nesta versão online mais obras do que as que constam na exposição física, inaugurada a 31 de Maio, na sede da fundação, em Lisboa, onde ficará até 23 de Agosto, com entrada gratuita.

Segundo a Google Arts & Culture, além disso, através de realidade aumentada e recurso a um telemóvel ou outro dispositivo móvel, qualquer utilizador pode projectar as obras da exposição em sua casa permitindo uma experiência imersiva.

(...)

Ler+ AQUI

21
Jun21

SUGESTÃO DA SEMANA PNL | VIRGINIA WOOLF - MRS DALLOWAY

BE - ESJP

Mrs_Dalloway.jpg

“Numa clara manhã de primavera, Clarissa Dalloway resolve sair para comprar flores para a festa que acolherá naquela mesma noite, em sua casa. Enquanto passeia pelas ruas de Londres, são recolhidas imagens, sensações e ideias, entrelaçadas com as personagens que habitam o seu mundo - do marido, Richard Dalloway, à filha, Elizabeth, e a Peter Walsh, amigo de juventude acabado de voltar da Índia - e que com ele se cruzam - como Septimus Warren Smith, veterano da Primeira Guerra Mundial assombrado pela doença mental. Romance que revelou em pleno o talento de Virginia Woolf, a sua perspicácia, a sensibilidade transparente e, sobretudo, a arte suprema de descrever os segredos das almas - não os atos mas as sensações que eles despertam - fazem de Mrs Dalloway uma obra-prima indiscutível da literatura universal.”

Ler+ AQUI

 

21
Jun21

PÊRO DA COVILHÃ | FANTÁSTICA HISTÓRIA DO MAIOR ESPIÃO PORTUGUÊS

BE - ESJP

site_padrao_descobrimentos_pero_covilha_9429.jpg

Chamava-se Pêro da Covilhã e partiu de Portugal continental a pé, percorrendo os principais portos até chegar à Índia. A sua missão consistia em recolher informações para que, anos mais tarde, Vasco da Gama concretizasse a via marítima da Rota das Especiarias. Pensa-se que Pêro da Covilhã terá nascido em 1450 na terra que lhe deu o nome, e que aos 18 anos foi convidado a servir D. Juan de Guzmán, irmão do Duque de Medina-Sidonia (um dos mais conceituados fidalgos de Sevilha).

 

Ali lhe foi atribuído o papel de espadachim, sendo que a sua desenvoltura levou a que o convidassem a participar nas embarcações do Duque, algo que ele recusou. Em 1474, acompanhou D. Juan a Lisboa para uma entrevista com D. Afonso V.

O seu domínio de línguas como o árabe levou a que, aos 24 anos, fosse admitido como moço de esporas de D. Afonso V, que rapidamente o elevou a escudeiro, com direito a armas e cavalo. Em 1467, acompanha D. Afonso V na batalha de Toro, e mais tarde na jornada por França, no pedido de auxílio ao Rei Luís XI de França na luta pelo trono de Castela. 

(...)

Ler+ AQUI

21
Jun21

ISABEL DE PORTUGAL | RAINHA DE ESPANHA E IMPERATRIZ DA ALEMANHA

BE - ESJP

isabel-de-portugal-by-.jpeg

Filha de D. Manuel I e da sua segunda esposa, a rainha D. Maria, Isabel de Portugal nasceu em Lisboa, a 25 de outubro de 1503. Ficou conhecida como a imperatriz perfeitíssima, numa Europa recheada de convulsões políticas, religiosas e sociais, por ser mulher e colaboradora do poderoso Carlos V. A sua beleza ficou para sempre imortalizada numa obra de Ticiano.

 

As negociações do casamento entre D. Isabel e o imperador Carlos V começaram no outono de 1522, entre D. João III, seu irmão, e a corte espanhola. Acordaram-se dois casamentos: o de D. João III com Catarina, irmã de Carlos, e o de D. isabel com o imperador. O enlace do rei português deu-se primeiro, tendo o casamento de Isabel demorado mais uns tempos. A recém rainha de Portugal, D. Catarina, terá assim escrito ao irmão a falar-lhe das muitas virtudes e beleza de D. Isabel, sua cunhada. 

(...)

Lere+ AQUI

 

18
Jun21

FUTEBOL E EDUCAÇÃO

BE - ESJP

tec fut.png

O PAPEL DOS PAIS NA VIDA DESPORTIVA DOS FILHOS E A SUA TRANSMIÇÃO DE VALORES

Nos tempos que correm a participação dos pais nas atividades dos filhos é frequente e de salutar. Esta participação é feita a todos os níveis quer seja escolar, social, desportiva ou lúdica. Para isso devem tanto os pais como os filhos sentirem-se agradados com a presença de ambos e não serem motivos de «stress».

A verdade é que os pais não estão, na maior parte das vezes, preparados para serem pais de atletas. A vida altera-se quando o filho entra no desporto e muita da rotina familiar é feita em função dos horários desportivos do filho. Acrescentar a isto que os fins de semana também são condicionados pela participação do filho na competição. Daí inúmeras vezes os pais indignarem-se pela pouca ou nenhuma utilização do filho no jogo. O stress a que se sujeitam e para o qual não estavam minimamente educados para tal.

Temos de uma vez por todas envolver os pais na realidade dos clubes fazendo-os perceber a dinâmica do clube para que possam de uma forma mais assertiva colaborar na prática desportiva. 

Existirá sempre nesta prática o perigo de um envolvimento abusivo que pode resultar em conflitos e destabilização quer do filho, quer da equipa. Mas hoje essa participação já existe e sem regras. Os pais assumiram a «gestão» da formação dos clubes porque estes faliram e desinteressaram-se da mesma. É consensual que o entendimento e a comunicação entre pais e jovens atletas é uma experiência positiva importante para a criança.

Do desporto das redes sociais e dos paineileiros da televisão para os campos não existe filtragem.

Daí, também, serem normalmente os pais que vivem os jogos como se fossem eles que estivessem a jogar os que tendencialmente insultam os árbitros, sejam eles árbitros adultos ou, mais absurdo ainda, jovens que estão a iniciar a atividade. Em casa repreendem os filhos quando dizem asneiras e não permitem que se insultem pessoas, mas quando estão no jogo os princípios de educação enunciados em casa desaparecem.

A pergunta da criança é, “mas afinal dizem-se ou não se dizem asneiras?! Insultam-se ou não se insultam pessoas?” Nada é mais educativo que os exemplos, e não é com maus exemplos que melhor educam. Se acreditamos que o desporto para os mais jovens é um processo educativo e formativo, todos devemos contribuir para essa finalidade, a começar pelos pais.

É necessário aprender a conviver com esta realidade: todos somos potenciais desestabilizadores, mas, com valores humanos e uma educação adequada e atempada, podemos enfrentar a situação com êxito e fazer com que esta sucessão de problemas tenha um impacto mínimo.

Desta forma, os pais, tanto na vida como no desporto, ou na vida através do desporto, devem ter consciência de que o seu agir é observado com muita atenção por parte das crianças, que veem os pais como o primeiro e principal modelo a imitar e a seguir.

A criança cresce e desenvolve-se à imagem do contexto em que está inserida e de acordo com os valores que a regem. Neste sentido, os modelos que observam a partir de casa penetram mais fundo no seu comportamento, do que qualquer exercício de retórica que estes possam tentar sublinhar.

“Faz o que eu digo, não faças o que eu faço” é um ditado popular que não serve de modelo de transmissão de valores para os filhos, pois o exemplo é o que se apreende e marca.

No processo de transmissão e construção de um quadro de valores desportivos, mas acima de tudo sociais, os pais, enquanto primeiros e principais responsáveis pela educação dos seus filhos, revelam-se autênticos guias, que através do seu estímulo, mas também do seu exemplo, permitem e exponenciam a capacidade dos seus filhos assimilarem e compreenderem os valores inerentes à sua prática desportiva. Da mesma forma que um comportamento antagónico, socialmente inadequado, reforça nos seus filhos a assunção destes como atitudes normais e, portanto reproduzíveis dentro do fenómeno desportivo.

As crianças apreendem com maior frequência aquilo que vivenciam do que aquilo que lhes é dito. Se forem constantemente confrontadas com maus exemplos, vão acabar por tomá-los como bons, pois é a realidade em que se encontram.

Os pais devem transmitir aos filhos que estes têm de dar o melhor de si mesmos para superar os obstáculos e não esperar que o adversário fraqueje ou que ocorra uma influência externa. O objetivo pode ser vencer, mas todos temos de ser melhores, de evoluir diariamente.

A criança/jovem tem direito, tem mesmo a necessidade, de sonhar. O crescimento implica várias fases. O sonho está, e deve estar, sempre presente no seu desenvolvimento. O sonho começa a traçar um caminho, estimula a criatividade e abre novos horizontes.

Uma meta que possa não ser alcançada não é definitivamente um fracasso. Nem sempre somos os melhores. O campeão não é o que não cai, mas sim o que se levanta a seguir à queda.

Vítor Santos

Embaixador do Plano Nacional de Ética Desportiva

18
Jun21

SARAMAGO | 1922-2010

BE - ESJP

saramago18.jpeg

José Saramago: um memorial do filho pródigo de Azinhaga

José de Sousa Saramago. É este o nome que perpetua Azinhaga e o seu concelho, Golegã, no mapa português. As origens são modestas, origens que remontam às tradições agrícolas familiares. 16 de novembro de 1922 vê, então, o seu filho pródigo nascer, vendo-o partir dois anos depois para Lisboa, a capital do país. No entanto, por mais que o conhecimento concentrasse os seus desejos e as suas atenções, a sua família passava por privações económicas e o jovem Saramago, que desejava a universidade, viu-se formado numa escola técnica, trabalhando como serralheiro mecânico. No entanto, isso não inibiu a sua paixão livresca, com as noites a serem usufruídas na Biblioteca Municipal, no agora Palácio Galveias.

A tentação de iniciar a escrita conheceu a sua primeira publicação formal em 1947, com “Terra do Pecado”, uma obra que seria revalorizada nos anos 90. Este lançamento culminou com o nascimento da sua filha, Violante, fruto do casamento com a artista Ilda Reis. Este seria o primeiro matrimónio de dois, tendo, entre ambos, vivido com a autora Isabel da Nóbrega. De 1988 até à sua morte, viria a estar com Pilar del Rio, jornalista e tradutora espanhola, que conheceu dois anos antes, relação que é documentada em “José e Pilar” (2010), num documentário de Miguel Gonçalves Mendes; para além dos “Cadernos de Lanzarote” (1993-1998), com o seu quotidiano e suas reflexões e indagações sobre o mundo e demais obras literárias e filosóficas. O seu percurso profissional passou por ser funcionário público, embora o complementasse com algumas traduções que foi fazendo, de autores como Leon Tolstoi ou Charles Baudelaire.

Ler + AQUI

15
Jun21

GONÇALO CADILHE | AS VIAGENS E OS LIVROS

BE - ESJP

goncalo-cadilhe-molucas.jpgGonçalo Cadilhe é o mais reconhecido escritor de viagens português da actualidade. Tem catorze livros de narrativa de viagem e três coffee-tables de fotografia. Os seus títulos somam dezenas de reedições. Várias das suas obras encontram-se incluídas na listagem do Plano Nacional de Leitura. Viagens, biografias históricas, surf e encontros de vida são os seus temas de eleição. 

Ler+ AQUI

 

 

15
Jun21

OLGA TOKARCZUK

BE - ESJP

2019-10-10t110145z-862713793-rc16528bf000-rtrmadp-

Prémio Nobel da Literatura 2018

Olga Tokarczuk nasceu em Sulechów, uma pequena cidade polaca, em 1962. Formada em Psicologia, publicou o seu primeiro livro em 1989, uma coletânea de poesia intitulada Miasta w lustraché, seguindo-se os romances E. E. e Prawiek i inne czasy, tendo sido este último um sucesso.
A partir daí, a sua prosa afastou-se da narrativa mais convencional, aproximando-se da prosa breve e do ensaio. Uma das melhores e mais apreciadas autoras de hoje, a obra de Olga Tokarczuk tem sido alvo de várias distinções, nacionais e internacionais. Recebeu por duas vezes o mais importante prémio literário do seu país, o Prémio Nike; em 2018, foi finalista do Prémio Fémina Estrangeiro e vencedora do Prémio Internacional Man Booker. Os seus livros estão traduzidos em trinta línguas.
Em 2019, foi distinguida pela Academia Sueca com o Prémio Nobel de Literatura pela sua «imaginação narrativa, que com uma paixão enciclopédica representa o cruzamento de fronteiras como forma de vida».

Ler+ AQUI

 

15
Jun21

SUGESTÃO DA SEMANA PNL | VIAGENS

BE - ESJP

22cbe2c-viagens-olga-tokarczuk.jpg

Publicado originalmente em 2007 no polaco nativo da autora, Viagens, cuja tradução para inglês venceu, em 2018, o Man Booker Prize, é o 12º livro de Olga Tokarczuk, um dos maiores nomes da literatura contemporânea no seu país Natal.

“Bieguni”, seu interessante título original, refere-se a um grupo de “old believers” que rejeitam a vida sedentária e acreditam que a viagem, o movimento, são essenciais para evitar o mal e a tragédia. Sendo Olga Tokarczuk formada em psicologia, não será de estranhar a sua curiosidade por um comportamento humano tão aparentemente inverso ao que são as nossas convenções sociais.

Esta escolha reflete a filosofia na qual Tokarczuk se parece basear para o desenvolvimento da sua obra, inconformada com uma única corrente literária. O seu estilo fragmentado será, talvez, um pouco desconcertante para o leitor durante os capítulos iniciais, ganhando alguma justificação e sentido ao longo das mais de 300 páginas compostas por pequenas “viagens” ao longo do espaço e tempo, numa amálgama de formas estilísticas onde se misturam ensaios e narrativas de ficção mais ou menos longas com algumas personagens históricas em aparições esporádicas.

Estes fragmentos, parecendo inicialmente sem qualquer tipo de relação entre si, têm em comum o tema do movimento, do lar físico e espiritual – o corpo humano e uma curiosidade um pouco macabra sobre anatomia tomam um papel central em várias das narrativas – desde uma ex-amante de um monarca que tenta desesperadamente recuperar o cadáver do pai, a um homem que perde o rasto à sua mulher e filho, à irmã do compositor Chopin que tenta encontrar um local de repouso para o coração do mesmo após a sua morte. Olga Tokarczuk parece então perguntar-nos: qual o nosso próximo destino? Qual o significado de lar, corpo, e a sua importância material e espiritual?

Uma das críticas mais recorrentes e pertinentes a este Viagens é a falta de enquadramento oferecida para muitas das escolhas da autora – quer sejam os mapas que surgem de forma aparentemente aleatória entre fragmentos narrativos, quer sejam histórias sem finalização, que podem deixar o leitor com um sentimento de frustração para com a leitura. Mas, talvez, também esse seja o propósito quando se fala de viagens. Afinal, Tokarczuk não se refere a turismo e ao encontro de pontos previamente demarcados num mapa (até porque o seu livro não segue qualquer tipo de padrão literário a que a maioria dos leitores esteja habituado), mas à filosofia nómada, de deixar um local, uma história e partir para a seguinte sem a preocupação de olhar para trás.

É uma perspetiva discutível, uma vez que algumas narrativas são revisitadas e deixadas com um certo tom de finalização, enquanto outras são tão breves que nos podemos perguntar o porquê de ali se encontrarem. Algumas das secções conseguem fazer sentido individualmente, enquanto outras parecem deixar mais questões que respostas, sem acrescentarem nada de relevante ao que a autora transmite no total das partes que constituem a obra, fazendo com que esta se alongue desnecessariamente em certos pontos.

Viagens é uma incursão infinitamente interessante pela mente da autora, que irá necessitar de alguma concentração por parte do leitor para combater a sua deliberada ambiguidade. Ainda assim, acaba por ser compensatória na escrita descomplicada e envolvente de Tokarczuk, traduzindo-se num exercício de literatura bastante agradável e original, sem se tornar demasiado cansativo ou complexo, ao alcance de qualquer leitor curioso que se predisponha ao desafio.

Fonte: Maria João Soares in Comunidade Cultura e Arte

Ler+ AQUI

 

15
Jun21

MARATONA DE LEITURA | SERTÃ DE 30 DE JUNHO A 3 DE JULHO

BE - ESJP

maratonaleirurasharehome.jpg

A Maratona da Leitura – 24 Horas a Ler é hoje um dos principais eventos culturais do Interior português, cujo principal propósito é desafiar os leitores a ler em voz alta excertos de obras dos seus autores preferidos. 

A celebração da leitura em voz em alta tem neste certame o seu máximo expoente, promovendo, ao mesmo tempo, a paixão pelos livros e o gosto pela leitura. Todos os anos tem destacado uma figura célebre, à volta da qual decorreram várias iniciativas paralelas, desde tertúlias até encontros temáticos ou sessões de leitura em lugares inesperados, como o sopé de uma serra ou o leito de um rio. Nas últimas edições invocámos personalidades tão distintas como Hans Christian Andersen, Fernando Pessoa, Nuno Álvares Pereira ou Padre Manuel Antunes.

Uma das características do evento é promover a região, através da descentralização das atividades que acontecem um pouco por todo o concelho da Sertã, privilegiando-se locais de rara beleza. Passeios de barco no Rio Zêzere, encontros com escritores no seio da natureza ou em edifícios emblemáticos, passeios pedestres que conciliam a contemplação do espaço envolvente e o trabalho literário dos escritores presentes, são alguns dos exemplos dos principais momentos da Maratona da Leitura.

Uma particularidade do evento são as Festas na Aldeia, muitos locais dispersos e isolados do concelho da Sertã são visitados por uma biblioteca itinerante e por um contador de histórias. O objetivo é proporcionar aos residentes o contacto em primeira mão com os livros e a leitura, num verdadeiro espírito de festa!

Contamos sempre com inúmeros escritores convidados. Na maratona já estiveram nomes como Pedro Mexia, Valter Hugo Mãe, Mário Zambujal, Francisco Moita Flores, Miguel Real, Jaime Nogueira Pinto, Pedro Lamares, Vergílio Alberto Vieira ou o radialista Fernando Alves.

Em 2018 mereceu uma menção honrosa no âmbito das Boas Práticas em Bibliotecas Públicas da Direção Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas.

Saber mais AQUI

 

14
Jun21

COMO EVITAR O BULLYING

BE - ESJP

fhmgrmhw-1399905588.jpg

O bullying é um problema comum em qualquer escola. Se você tem medo de sofrer essa violência, pode aprender a evitar passar por situações do tipo. Caso aconteça algo, nunca se culpe; a responsabilidade é sempre de quem perpetua o ato. Ainda assim, você pode fazer algumas coisas para reduzir as chances de se tornar vítima. Aprenda a adotar atitudes calmas e confiantes para afastar os bullies, evite as áreas da escola que eles frequentam etc. Se não conseguir evitar esse encontro, denuncie a situação a um adulto. Quando a vítima não se manifesta, pode sofrer consequências sérias.

Continuar a ler AQUI

 

09
Jun21

APRENDER PORTUGUÊS É UM ÊXITO

BE - ESJP

145dcc0c145f13d2cd9887db6a405cffb9c47dc8

A turma de Português Língua Estrangeira, em Sanem, já conta com o dobro de inscrições de alunos luxemburgueses para o próximo ano.

“Gostava de falar português porque tenho muitos amigos portugueses”. Esta é a principal motivação que leva Maeva, 15anos, a querer aprender a língua portuguesa. Veio da Irlanda e partilha com os seus dois irmãos a primeira fila de mesas da sala de aula da Português Língua Estrangeira em Sanem. Dedicam duas horas todas as manhãs de sábado, a aprender português. E nem o ter que acordar cedo, porque a aula começa às 8h, os demove. Duas filas atrás, a italiana Soraya, que vive no Luxemburgo desde os três anos, partilha a motivação: “Quero aprender porque na minha escola quase todos os amigos falam português e quero compreender o que dizem”.

“Eles têm contacto com os colegas na escola e penso que esta será uma das maiores motivações que os levam a aprender o português para poder integrar-se no recreio e participar nas brincadeiras”, sublinha a professora Sónia Candeias Wozniak. E o interesse não para de crescer. Para o ano já conta com o dobro das inscrições de luxemburgueses e alunos de outras nacionalidades que querem aprender a falar português, só nesta aula. “A cada ano que passa, vamos tendo cada vez mais alunos luxemburgueses”, acrescenta. Estão a estudar no nível A1 mas “já sabem ler e construir frases”, explica a professora.

“É uma língua muito interessante” diz Soraya de 10 anos. Questionada sobre o que considera mais difícil na aprendizagem do português, responde: “Para mim é falar, porque tenho algumas dificuldades, porque aprendo muitos línguas e queria compreendê-las”.

Em frente ao quadro, a professora Sónia Candeias Wozniak fala entusiasmada dos seus alunos. Veio para o Luxemburgo há 14 anos para ficar um ano letivo, porque tinha o sonho de ensinar. O objetivo era ganhar tempo de serviço, enquanto aguardava a oportunidade de concorrer em Portugal. Agora já tem cá os seus filhos e casou com um luxemburguês.

“O mais complicado para compreenderem são os verbos, mas este é um grupo muito aplicado e tem tido muitos progressos”, sublinha. No final há um prémio que todos querem receber. Uma viagem de cinco dias a Lisboa, “com a professora e sem os pais”. “No 6° ano vão ter que conseguir estar em Lisboa, sem pedir ajuda à professora. Têm que se desenvencilhar”. Para preparar esse grande momento, na sala de aula “dramatizam situações, como se estivessem em Lisboa, a pedir comida num restaurante, por exemplo.” Para financiar a viagem, organizam vários espetáculos ao longo do ano, angariando todo o lucro conseguido. Este tipo de projeto está, porém, suspenso, devido à pandemia.

 

Mas há um outro projeto de que a professora Sónia fala com orgulho, dirigido aos mais pequeninos que frequentam a educação pré-escolar. E há muito para fazer. “O problema é que muitos dos meninos chegam e não falam luxemburguês e é muito complicado para as professoras luxemburguesas trabalhar com eles, porque também não sabem português”, explica. Os professores de português fazem a ponte entre as duas línguas. “A nossa presença permite às crianças adquirir mais vocabulário na língua materna para que tenham competências linguísticas mais abrangentes. Trabalhamos histórias infantis e depois a professora luxemburguesa conta-as em luxemburguês e ajudamos a fazer essa passagem”, sublinha.

Para já, este projeto, desenvolvido em parceria com o Ministério da Educação do Luxemburgo, está em 11 escolas. Mas o objetivo é levá-lo a mais salas do pré-escolar.

“O professor de português, em parceria com o professor de luxemburguês, faz a transição entre as duas línguas e assim as crianças sentem que a sua língua é valorizada, sentem-se mais confiantes e conseguem mais rapidamente fazer a ponte entre as duas línguas”, explica Mónica Cabral, adjunta de Coordenação de Ensino de Português no Luxemburgo.

Lusodescentes devem começar o mais cedo possível

Mas as dificuldades crescem quando as crianças portuguesas chegam ao Luxemburgo mais tarde e se deparam com uma escola onde só se falam línguas que desconhecem. É o caso de Martim Leandro Correia, de treze anos, que estuda português há dois anos na École Fondamentale Gellé em Bonnevoie. “Tinha cinco anos quando cheguei e fui para uma zona onde havia muitos alemães, não conseguia comunicar e deixei de ter vontade de ir à escola porque estava sempre sozinho”, recorda. Mas depois aprendeu alemão e tudo mudou. Hoje é muito bom aluno a alemão e nas outras línguas. “Na escola temos que aprender francês, alemão e luxemburguês”. Gostava de ser professor de Matemática e não pensa estudar em Portugal.

Já o sonho da Inês Duarte Lourenço, 13 anos, é estudar na Universidade de Coimbra, “desde pequenina”. Começou a aprender português aos sete anos, diz “que é uma língua muito bonita e que falo todos os dias e a toda a hora”. Nasceu no Luxemburgo, mas sempre gostou muito de ir a Portugal, onde vai todos os anos, sem exceção.

Na sala de aula da École Fondamentale de Gellé há muitos outros alunos com ligação às suas raízes. Apesar da sua família vir da Serra da Estrela, Beatriz Martins dos Santos dança no rancho do Cancioneiro do Alto Minho. Começou a dançar com quatro anos e já pisou palcos em Portugal, Paris, Luxemburgo e muitos outros sítios. Com 12 anos, nasceu no Luxemburgo, mas todos os anos vai a Portugal nas férias. Já Dinis Santos não hesita em dizer que não gosta de aprender, “porque é difícil”. Está a aprender português há cinco anos “porque os meus tios querem que aprenda”.

O papel da família pode ser fundamental em motivar os alunos, pelo menos no início.

“A maioria vem porque os pais lhes dizem para vir, mas há outros alunos que escolhem estudar português por vontade própria e gostam”, afirma a professora Maria da Glória Cardoso que veio para o Luxemburgo em 2002. E deve começar-se de pequenino. “Recomendo aos pais que os inscrevam o mais cedo possível, logo no 1° ano”. Para além de aprender português, também evoluem na escola luxemburguesa. “Ainda este ano uma mãe veio dizer-me que o filho evoluiu muito na aprendizagem, desde que começou a aprender português.”

Maria da Glória Cardoso está há vinte anos no Luxemburgo. “Vim para ver o que era o ensino de português no estrangeiro, mas nunca pensei ficar tanto tempo. Depois penso que vou ficar mais um ano para acompanhar os meus alunos até ao fim, mas depois chegam outros e outros e vou-me afeiçoando e ficando.”

O seu mais recente projeto é um telejornal feito pelos alunos que está a desenvolver com outros dois professores. Por sugestão de um dos alunos foi batizado de Lucilineburgo, uma adaptação para português da antiga designação do Luxemburgo. “Estivemos a gravar as notícias feitas pelos alunos com uma câmara, depois vamos fazer uma montagem para apresentar um telejornal.”

A sua principal luta é convencer cada vez mais pais a inscreverem os seus filhos no ensino do português. A procura dos lusodescendentes diminui muito: “Em 2006 havia cerca de 150 alunos e duas professoras nesta escolae neste momento tenho pouco mais de 70 alunos”. A École Fondamentale Gellée, onde leciona a crianças portuguesas e lusodescendente nos níveis A1 e A2, fica no centro de Bonnevoie e está a ser afetada pela crise da habitação. “Temos um problema grande aqui na cidade, a habitação está caríssima e no ano passado tivemos imensos alunos a mudar de casa”, sublinha. Mas fica impressionada quando ouve os pais dizer “que os filhos não querem vir porque ficam muito cansados. Quem decide são as crianças e não devia ser assim”, adianta. “Aconselho todos os pais a inscrever os filhos no português, não são três horas por semana que vão interferir muito na sua vida”. Depois a “aprendizagem do português ajuda a aprender outras línguas”. A docente “preocupa-se com a comunidade portuguesa, porque tentamos falar com os pais e estão muito desmotivados de Portugal e da língua portuguesa. Era importante sensibilizar a comunidade portuguesa para a necessidade dos filhos aprenderam português. ” 

Fonte: CONTACTO

 

09
Jun21

MÁRIO DE CARVALHO

BE - ESJP

mario de carvalho.jpg

Mário de Carvalho nasceu em Lisboa em 1944. Licenciou-se em Direito e viu o serviço militar interrompido pela prisão. Desde muito cedo ligado aos meios da resistência contra o salazarismo, foi condenado a dois anos de cadeia, tendo de se exilar após cumprir a maior parte da pena. Depois da Revolução dos Cravos, em que se envolveu intensamente, exerceu advocacia em Lisboa. O seu primeiro livro, Contos da Sétima Esfera, causou surpresa pelo inesperado da abordagem ficcional e pela peculiar atmosfera, entre o maravilhoso e o fantástico.

Desde então, tem praticado diversos géneros literários – Romance, Novela, Conto, Ensaio, Crónica e Teatro –, percorrendo várias épocas e ambientes, sempre em edições sucessivas. Utiliza uma multiforme mudança de registos, que tanto pode moldar uma narrativa histórica como um romance de atualidade; um tema dolente e sombrio como uma sátira viva e certeira; uma escrita cadenciada e medida como a pulsão de uma prosa endiabrada e surpreendente.

Nas diversas modalidades de Romance, Conto, Crónica e Teatro, foram atribuídos a Mário de Carvalho os prémios literários mais prestigiados (designadamente os Grandes Prémios de Romance e Novela, Conto e Teatro da APE, prémios do Pen Clube Português e o prémio internacional Pégaso de Literatura). Os seus livros encontram-se traduzidos em várias línguas.

Obras como Os Alferes, A Inaudita Guerra da Avenida Gago Coutinho, Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde, O Varandim seguido de Ocaso em Carvangel, A Liberdade de Pátio ou Ronda das Mil Belas em Frol são a comprovação dessa extrema versatilidade.

 

09
Jun21

SUGESTÃO DE LEITURA | MÁRIO DE CARVALHO

BE - ESJP

500x (2).jpg

"O que eu ouvi na barrica das maçãs"
Esta obra engloba várias crónicas, escritas por Mário de Carvalho e publicadas pelo Jornal Público e Jornal de Letras, ao longo dos anos 80 e 90 do século XX. Abordam reflexões que abrangem diferentes temáticas, do jornalismo, à religião, ao quotidiano, incluindo, entre outros, textos em que está sujacente a dimensão política. Numa escrita singular e de grande riqueza descritiva, em que a ironia contrasta com a observação crítica da realidade envolvente, num vocabulário muito próprio e não convencional, mostrando tanto a sua faceta de cidadão atento como a de ficcionista.
 
Reconhecido como um dos mais importantes escritores portugueses da actualidade, a sua faceta de cronista passou despercebida à maior parte dos leitores; daí esta selecção das suas melhores crónicas publicadas nas décadas de oitenta e noventa do século passado no Público e no Jornal de Letras. Delas emergem o ficcionista, o cidadão, o comunicador e o memorialista, em textos que alguns diriam proféticos e, nas palavras de Francisco Belard: «testemunhos de um largo campo de assuntos, abordagens, dimensões e estilos, através de eras e lugares, sinais de um escritor que declaradamente prefere viajar no discurso e decurso do tempo e do espaço doméstico a fazê-lo em itinerários geográficos, programados e turísticos. Por tudo isto […], os leitores dos romances o vão reencontrar em mudáveis cenários e perspectivas, de outros pontos de vista, na familiaridade e na estranheza diante do seu mundo, que faz nosso.»

 

08
Jun21

DIA MUNDIAL DOS OCEANOS | 8 de junho

BE - ESJP

mediterranean-sea.jpg

As Nações Unidas marcam neste 8 de junho o Dia Mundial dos Oceanos com foco na Inovação para um Oceano Sustentável.

Em mensagem, o secretário-geral disse que perante a atuação pelo fim da pandemia e melhor recuperação, existe uma oportunidade única e responsabilidade de corrigir a relação humana com o meio ambiente incluindo mares e oceanos.

Saber mais AQUI